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Retrospectiva/Cultura/Polémica:  Retirada dos quadros de Tchalé Figueira e de Tranka Fulha do festival Gamboa Jovem marcam 2019

Cidade da Praia, 23 Dez (Inforpress) – A retirada de dois quadros do artista plástico Tchalê Figueira de uma exposição colectiva e a retirada do nome do MC Tranka Fulha do cartaz do Gamboa Jovem foram as polémicas que marcaram o ano que ora finda.

O ano 2019 iniciou com a polémica que envolveu o artista plástico Tchalê Figueira quando este foi convidado para expor os seus quadros numa exposição colectiva na Assembleia Nacional, na cidade da Praia, para comemorar o dia 13 de Janeiro, Dia da Liberdade e da Democracia.

Para o espanto de todos, dois dos quadros do artista foram retirados desta exposição, tendo a organização alegado que estes continham teor erótico.

Na ocasião, Tchalê Figueira acusou a Assembleia Nacional de censura, mas a administração da AN justificou a decisão com “elementos sensíveis nos quadros que pudessem ferir a sensibilidade e a capacidade de interpretação das crianças e dos adolescentes”, ou seja, estes continham conteúdo erótico.

Dias depois, o artista plástico anunciou na sua página no facebook que um desses quadros foi comprado por um “coleccionador privado”.

Na sequência desta polémica, o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, através da Direcção Geral das Artes e das Indústrias Criativas, convidou o artista a expor as suas obras no âmbito do ciclo “Talentos Consagrados”, no Palácio da Cultura Ildo Lobo.

Ali, o artista expôs 11 obras de teor erótico e intitulou a exposição de “Eros”, considerado o Deus do amor na Grécia antiga, por ser uma forma de mostrar que a arte, apesar de ser censurada desde o século XV quando Miguel Ângelo pintou a Capela Sistina, “não pode ser censurada”, mas sim deve prevalecer a “liberdade de expressão”, pois a arte sempre foi uma forma de “educação e de apreciação”.

Outra polémica que movimentou muito as redes sociais e a sociedade cabo-verdiana no país e na diáspora foi a retirada do nome do artista MC Tranka Fulha do cartaz Gamboa Jovem, no âmbito da 27ª edição do Festival da Gamboa.

No dia 06 de Maio, a autarquia apresentou o cartaz do Festival da Gamboa, tendo anunciado a participação do MC Tranka Fulha para o Gamboa Jovem, juntamente com os nomes de Romeu di Lurdes, Trakinuz, Ras Jahknow, Zé Espanhol e Hélio Batalha.

Entretanto, dias depois, através das redes sociais, várias pessoas criticaram a presença deste no festival, alegando que as suas músicas “não têm conteúdo, são impróprias para as crianças, desvaloriza as mulheres”, entre outras justificativas.

Na sequência, a autarquia anunciou que este foi retirado do cartaz do Gamboa Jovem, anúncio que gerou ainda mais polémica nas redes sociais, tendo algumas pessoas posicionado a favor do músico e outros contra.

António Lopes da Silva, vereador da cultura na Câmara Municipal da Praia, justificou essa decisão, por um lado, para substituir um outro grupo que venceu o Festival de Novos Talentos e, por outro lado, por entenderem que as suas músicas “não têm mensagens”.

Outra razão, disse, na Gamboa Jovem querem levar pessoas com “mensagens fortes” para os jovens e não músicas “sem conteúdos”.

Tendo ou não conteúdo, a verdade é que MC Tranka Fulha foi um dos artistas que teve, durante este ano, muita visibilidade e foi um dos artistas mais aguardados nos diversos festivais nacionais pela forma como este entra no palco, sempre surpreendendo o público.

No caixão, carregando a cruz, vestido de discípulo, saindo do mar, saindo de uma gaiola foram algumas das interpretações feitas por este MC nos seus espectáculos.

Para além de Cabo Verde, este jovem do bairro de Achada Eugénio Lima e com quatro singles no mercado, já pisou os palcos de Portugal, Suíça, Luxemburgo, Paris e Estados Unidos de América.

Outra polémica que envolveu este artista foi o cancelamento do seu visto de turista pela Embaixada dos Estados Unidos da América, depois de uma denúncia de que este tinha um show agendado nos EUA.

Tranka Fulha não desistiu do seu sonho e voltou a solicitar o visto, desta vez como artista, e assim concretizou o seu desejo de animar o público cabo-verdiano no club International Panorama, em Pawtucket, carregando a cruz como Jesus Cristo, no passado dia 23 Novembro.

Quando todo mundo achava que este ciclo de polémica na terra do tio Sam teria acabado, eis que novamente surgem nas redes sociais alguns fãs a criticarem a organização do evento pelo cache pago a este MC.

Maria Rodrigues, num ‘live’ no Facebook, disse que a organização arrecadou 52 mil dólar de bilheteria, mas que apenas pagou 1500 dólares ao MC Tranka Fulha, uma quantia que considerou ser “injusta”, visto que, este encheu esta sala de espetáculos muito mais que qualquer outro artista cabo-verdiano.

Reagindo, Sebah da organização, aproveitou a mesma via para negar todas as acusações feitas por todos os internautas, mas em nenhum momento revelou o valor recebido pelo artista, alegando motivos profissionais.

Entretanto, afirmou que nenhum artista sai de Cabo Verde para cantar nos EUA por 1500 dólares, ainda mais o MC Tranka Fulha, considerado o artista do momento.

Para além dessas duas polémicas, houve ainda algum “murmurinho” quando o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, anunciou na sua página no facebook, no dia 08 de Novembro, que a morna já era Património Cultural Imaterial da Humanidade e que os cabo-verdianos já podiam celebrar.

Na ocasião nenhum artista contacto pela Inforpress quis manifestar a sua reacção, pois justificaram que não se trata de um anúncio oficial. Afinal de contas, o dossiê de candidatura da morna apenas recebeu parecer positivo do comité técnico dos peritos da Unesco, justificaram.

A decisão final foi conhecida no dia 11 de Dezembro durante a 14ª reunião do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, sem nenhuma objecção dos 24 países presentes, tornando-se a morna Património Cultural Imaterial da Humanidade.

AM/ZS

Inforpress/Fim

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