Responsáveis de jardins privados pedem apoio do Governo para fazerem face à crise financeira causada pela pandemia

Cidade da Praia 02 Jun (Inforpress) – Responsáveis de alguns jardins privados da capital solicitarem hoje apoio ao Governo para fazerem face à crise financeira causada pela covid-19 e evitar assim o encerramento dos jardins devido à falta de recursos.

Em entrevista à Inforpress, os profissionais de jardins infantis de alguns bairros da Cidade da Praia manifestaram-se preocupados com a situação actual dos espaços que gerem e que por causa da pandemia do novo coronavírus foram obrigados a interromper o seu funcionamento.

Maria de Lurdes Pires, gestora do jardim ‘Tia Gabi nascer para crescer’, do bairro da Várzea, disse que a situação “é complicada” porque o seu jardim era o único sustento  até a altura da confirmação de casos positivos da covid-19 em Cabo Verde.

“Não temos nenhum outro rendimento que ajude no pagamento das mensalidades das monitoras, que garanta o sustento da família e neste momento mesmo que queiramos pedir apoio as instituições privadas muitos alegam a crise ou mesmo falência causada pela pandemia do novo coronavírus por isso precisamos de uma mão amiga do Governo para fazermos face a essa situação”, declarou.

Segundo esta responsável, todos estão conscientes do contexto actual da covid-19, mas realçou que fechar as portas até o mês de Setembro será “muito difícil”, porque os funcionários que dependem desse trabalho irão para o desemprego.

“Desta forma muitos responsáveis não conseguirão reabrir as portas em Setembro devido a falta de condição financeira. Nós contribuímos com a taxa de emprego no país e neste momento com esta pandemia, esperamos receber algum apoio porque essa situação não estava prevista”, frisou.

Por seu turno, o responsável do jardim Tia Zeza, Rony Costa, do bairro da Achada Grande Frente, lamentou a situação que muitos jardins privados estão a passar neste momento devido à pandemia do novo coronavírus, salientando que alguns até já fecharam as portas.

“Estamos cientes de que temos que encontrar alternativas para fazer face à crise causada pela covid-19, mas o cenário está complicado e o futuro dos jardins privados está incerto porque maioria, senão todos, dependem disso para sobreviver”, asseverou.

Por sua vez, a responsável do jardim ‘Amor do Povo’, do bairro de Ponta d´Água, disse que caso a situação não melhorar a única solução é continuar de portas fechadas até o mês de Setembro conforme as orientações das autoridades.

“Estamos completamente de acordo com a data, não temos nenhuma condição e teremos que permanecer de portas fechadas, mas perguntamos como é que vamos sobreviver até lá, porque temos funcionários, arrendamento, por isso queremos ver o que é que o Governo, através do Ministério da Educação, poderá fazer por nós”, disse Ana Lina Soares.

Cabo Verde registou hoje mais uma morte por covid-19 elevando para cinco o número de óbitos, tendo o director nacional da Saúde, Artur Correia, avançado que se trata de uma mulher de 62 anos, da Achada Santo António, que se encontrava em estado grave e que faleceu hoje no Hospital Agostinho Neto, na Cidade da Praia, vítima de covid-19.

Um turista inglês de 62 anos foi a primeira vítima mortal, que foi também o primeiro caso de covid-19 diagnosticado no país, mais precisamente na ilha da Boa Vista.

Seguiram-se mais três casos na Praia, uma mulher de 92 anos, um homem de 65 anos e uma mulher de 55 anos, todos igualmente com outros problemas de saúde associados.

Dados de segunda-feira, 01, indicavam o registo de 22 casos positivos da covid-19, sendo 21 na Cidade da Praia e um na ilha do Sal, elevando o número total de infectados no arquipélago para 458.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 370 mil mortos e infectou mais de 6 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

CM/AA

Inforpress/Fim

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