Republicanos bloqueiam resolução a invocar 25.ª emenda para destituir Trump

Washington, 11 Jan (Inforpress) – Os republicanos bloquearam hoje a resolução que pede ao vice-Presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, para invocar com urgência a 25.ª emenda para destituir o chefe de Estado cessante, Donald Trump.

O bloqueio foi imposto depois de os democratas terem entregado na Câmara dos Representantes uma acta de acusação contra Trump, primeiro passo para a abertura formal de um segundo procedimento de destituição contra o Presidente cessante dos Estados Unidos, que é acusado unicamente de “incitar a violência” que assolou o Capitólio em Washington.

Paralelamente, os democratas, que controlam a maioria da Câmara dos Representantes apresentaram uma outra resolução a pedir a Pence para demitir Trump das suas funções, invocando a 25.ª emenda da Constituição norte-americana, cuja votação na plenária deverá ocorrer terça-feira.

Trump termina o mandato quando Joe Biden, vencedor das eleições presidenciais norte-americanas de 03 de Novembro de 2020, tomar posse, a 20 deste mês.

Pence ainda não deu qualquer indicação sobre se irá dar sequência às resoluções dos democratas, mas, se não avançar com o processo, a Câmara dos Representantes, segundo a presidente deste órgão, Nancy Pelosi, avançará para a destituição (‘impeachment’).

O bloqueio dos republicanos surgiu depois de os republicanos se recusarem a votar a resolução.

No entanto, vários deputados da Câmara dos Representantes admitem que a votação possa ocorrer terça-feira.

A presidente democrata da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, já reagiu ao bloqueio dos republicanos, acusando-os de “pôr os Estados Unidos em perigo” face à “cumplicidade” com Trump.

Pelosi lamentou que os republicanos se oponham à unanimidade da resolução para exigir a Pence que promova a demissão de Trump.

“A sua cumplicidade põe os Estados Unidos em perigo, mina a nossa democracia e isso deve parar”, escreveu a presidente da Câmara dos Representantes num comunicado.

Pelosi anunciou, por outro lado, para breve, uma votação em plenário sobre esta resolução, bem como sobre a acusação contra Trump, que marcará a abertura formal do segundo procedimento de ‘impeachment’ contra ele.

A nove dias do fim da Presidência de Trump, a Câmara dos Representantes está também a preparar esta semana a destituição do presidente cessante.

Pelosi tem tentado primeiro pressionar os republicanos para que convençam Trump de que chegou a hora de deixar a Presidência norte-americana.

Em causa está apenas uma acusação, a de “incitamento à insurreição”, na sequência da invasão, quarta-feira passada, do Capitólio, por apoiantes de Trump, numa altura em que Senado e Câmara dos Representantes ractificavam os resultados da votação, que conformaram a vitória de Biden.

O projeto da Lei da Destituição, de quatro páginas, dá conta, entre outras razões, de declarações falsas feitas por Trump sobre o facto de ter derrotado Biden nas eleições, das pressões sobre as autoridades da Geórgia para que se encontrassem mais votos para dar a vitória ao Presidente cessante.

A invasão do Capitólio é outro dos argumentos, uma vez que consideram que Trump incitou os seus apoiantes a “lutarem como nunca” contra a alegada fraude eleitoral, o que levou os manifestantes a romperem os cordões policiais e a entrarem no Capitólio.

“O Presidente Trump colocou em risco a segurança dos Estados Unidos e das suas instituições governamentais”, refere-se no projecto de lei dos representantes democratas David Cicilline (Rhode Island), Ted Lieu (Califórnia), Jamie Raskin (Maryland) e Jerrold Nadler (Nova York).

“[Trump] ameaça a integridade do sistema democrático, interfere na transição pacífica de poder, e traiu a confiança. Continuará a constituir-se como uma ameaça à segurança nacional, à democracia e à Constituição se se mantiver [na Casa Branca]”, acrescenta-se no texto.

Inforpress/Lusa

Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos