Representante do sector privado considera correcta medida de isenção de vistos aos turistas europeus

 

Cidade da Praia, 17 Abr (Inforpress) – O presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Serviço de Sotavento (CCISS), Jorge Spencer Lima, considera correcta a medida do Governo de isenção de vistos aos turistas da União Europeia (UE) e do Reino Unido.

Segundo explicou no jornal de domingo da Televisão de Cabo Verde (TCV), esta é uma medida que o executivo tinha que tomar para atrair mais turistas e chegar à meta de um milhão nos próximos anos, que, de resto, foi definida pelos sucessivos governos.

“Um milhão de turistas por ano só pode ser atingido com duas medidas. Primeiro é construir hotéis na medida em que os existentes estão com uma taxa de ocupação de quase 90 por cento (cerca de 640 mil turistas/ano) e temos que atrair turistas suplementares para Cabo verde”, disse.

Na questão da construção de hotéis, Jorge Spencer Lima adiantou que passos já estão a ser dados com a edificação de vários empreendimentos hoteleiros nas ilhas do Sal, Boa Vista e Santiago, devendo o país contar, dentro de dois anos, com mais cerca de 3.600 quartos.

“Isso vai significar que vamos ter uma capacidade para receber mais cerca de 300 mil turistas, mas é preciso atraí-los”, disse adiantando que a isenção de vistos é sim uma das formas de atrair os turistas.

No que se refere às reações sustentadas na questão de perda de receita devido a não cobrança pelos vistos e da reciprocidade da medida, ou seja, que os cabo-verdianos tenham livre acesso aos países da UE, o presidente da CCISS adiantou que a questão da reciprocidade não faz sentido, já que “o interesse de abrir a fronteira aos europeus é de Cabo Verde”.

“Portanto, só há reciprocidade quando existe interesse mútuo. Vontades mútuas. Agora, eu é que quero trazer ingleses para Cabo Verde e agora vou exigir isenção de vistos para os cabo-verdianos não faz sentido”, sublinhou.

Em relação à perda de receitas, que segundo o ex-primeiro-ministro, José Maria Neves, será de aproximadamente 20 milhões de euros por ano (2,2 milhões de contos) , Jorge Spencer Lima disse que essa verba pode ser recuperada e aponta com uma das vias a cobrança da taxa turística.

“Se Cabo Verde conseguir aumentar o número de turistas de 600 mil para um milhão, o país recupera as receitas que, eventualmente, perde com a isenção através da taxa turística. O fundo do turismo recebe, neste momento, dos turistas que entram entre 800 mil e um milhão de contos. Se duplicarmos os turistas vamos duplicar o fundo do turismo que já é metade daquilo que estão a dizer que vamos perder”, precisou.

Mais do que isso, o presidente da CCISS salientou que essa perda será compensada com a criação de empregos e mais mercados para vender aos turistas.

“Um milhão de turistas em Cabo Verde é o dobro da população de Cabo Verde, significa o mercado que estamos a chamar”, disse, alertando, entretanto, para a necessidade de se organizar internamente para poder vender a essa população turística que vai aumentar exponencialmente.

MJB/CP

Inforpress/fim

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