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REPORTAGEM/São Vicente: Parque da Gare Marítima é ponto de encontro na madrugada da juventude que “fecha olhos” à covid-19 (c/áudio)

*** Por Letícia Neves, da agência Inforpress*** 

Mindelo, 06 Ago (Inforpress) – O parque de estacionamento da Gare Marítima do Porto Grande, no Mindelo, tornou-se no novo ponto de encontro da juventude mindelense, que procura neste espaço um escape para o divertimento, nestes tempos da pandemia da covid-19. 

São 01:30 da madrugada de sábado e a Gare, como é conhecida, já está no auge com centenas de jovens, de diversas idades, menores inclusive, que em grupos de amigos, com algum distanciamento, ocupam as bancadas, os passeios e a própria estrada anexa ao parque de estacionamento. 

Um cenário que neste Verão em plena covid-19 vem se repetindo todos os finais de semana, até se assemelhando às festas que eram organizadas no mesmo local nos anos anteriores à pandemia.  

Na Gare, hoje, parece que o vírus passa ao lado, não há uso de máscaras, distanciamento muito pouco e bebidas não faltam. 

Fred Wilson Ferreira, 27 anos, é uma das “mobílias” deste cantinho e não perde uma, sempre acompanhado de outros dois amigos da zona de Bela Vista. 

“Aqui é um lugar aberto, tranquilo, porque não há limite de pessoas, mas os outros lugares já têm, e assim conseguimos divertir melhor com os nossos amigos”, explicou o jovem, que já vê este encontro como uma “tradição” também para encontrar as “xu” (menina bonita, na gíria da nova geração), mas que também é utilizada para classificar os rapazes. 

Cynthia Lima, de Lombo Tanque, 25 anos, que costuma ir ao local sempre acompanhada da irmã e do cunhado, acredita também que é um “local perfeito” para conhecer novas pessoas, conversar e interagir com os seus pares, mas, asseverou, normalmente mantém “alguma reserva”, permanecendo com as pessoas da sua convivência e com algum distanciamento das demais. 

Por causa deste mesmo “ambiente de descontração”, Roberto Roque, 20 anos, também frequenta o parque e aproveita o espaço como uma oportunidade de sair de casa, refrescar-se do calor e, acima de tudo, ver pessoas, até porque, acredita, ali já se tornou “um ponto de encontro que toda gente tem, depois de terminar os seus afazeres”, sublinhou este morador de Chã de Alecrim. 

Ficam, assim, longe os tempos em que a meninada sanvicentina encontrava-se em peso na Praça Nova, algo estranho para Danielson Delgado, 29 anos, – os últimos oito fora de São Vicente – e que passou pela Gare com o irmão, depois de todo esse tempo longe de casa. 

“Para mim esta aglomeração é estranha e depois estou a ver muito pessoal da minha zona que conheci ainda pequenos e agora estão aqui consumindo bebida e nem sei se todos eles são maiores. Mas como disse o meu irmão e alguns amigos, aqui já se tornou um ponto estratégico para a malta jovem”, completou Danielson Delgado, que liga a adesão dos jovens ao espaço com o facto de ser ao livre e sem exigência de cartão de vacinação. 

Jahman Brito, por seu lado, diz que a gare passou a significar liberdade, depois de “muito tempo em quarentena”, até porque ele mesmo já não faz nenhum plano semanal sem pensar passar por lá. 

“Estamos aqui a conviver com o companheiro, tem o pessoal que toma o seu álcool, aqueles que fumam, mas estamos aqui para conviver”, sublinhou o jovem de 21 anos, para quem esta paragem já é uma “rotina” a partir de quinta-feira, todas as semanas. 

Romilda de Pina, 23 anos, e as amigas Mayara Fortes e Madelene Dias, 20 e 23 anos, respectivamente, também não se esquivam deste giro ao final de semana, por se sentirem “à-vontade, sem perturbar ninguém”, embora o maior receio, asseguram, seja a polícia. 

“Estamos aqui tranquilos, mas a polícia sempre aparece para acabar com o nosso divertimento, fazemos uma festa em casa também vão lá, parece que estamos numa prisão”, declarou Madelene Dias, adiantando que os jovens “precisam de entretenimento” e sem este “há sempre perigo” de “caírem numa depressão” ou outras situações. 

Mayra Fortes acredita, por seu lado, que a desculpa da covid-19 para não se realizar eventos “já não pega”, porque a própria Câmara Municipal de São Vicente realizou o Festival Baía da Gatas no espaço Pont d´Água, na Avenida Marginal, que, apesar de ter sido online, “teve muita gente que pagou para assistir, é só gente de peso”. 

“Porque é que não fizeram na Baía das Gatas para todos, quer dizer covid-19 só pega em gente pobre, em gente rica não”, questionou. 

Com ou sem perigo de o estacionamento da Gare Marítima ser um ambiente propício para o contágio da covid-19, em São Vicente, o certo é que a maioria dos entrevistados garantiu estar vacinada com a primeira dose da vacina contra o vírus e prestes a tomar a segunda dose. 

Esperam que a vacina possa fazer “algum efeito” e permitir que sejam “libertados” das máscaras e liberados para todos os espaços de divertimento. 

02:15 da madrugada, a Inforpress deixa o espaço, mas para outros jovens a noite está a começar, pois com o encerramento de outros espaços nocturnos, entre os quais, Bar Caravela e Shisha 010, na praia da Laginha, que também têm reunido muita gente, os caminhos da noitada mindelense só dão parque de estacionamento da Gare Marítima do Porto Grande. 

LN/HF

Inforpress/Fim

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