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REPORTAGEM/São João: Djô Bababa – o coleccionador de prémios de colá San Jon

Mindelo, 20 Jun (Inforpress) – José Rodrigues, 61 anos, conhecido também por Djô Bababa, um coleccionador de prémios de colá San Jon, em São Vicente, sente que aquilo que faz é uma “arte”, que quer deixar para as novas gerações.

Foi pelas mãos da avó Maria Ludovina Rodrigues, mais conhecida por Maria Beba, que José Rodrigues começou a ter os primeiros contactos com o São João (San Jon em crioulo) ainda menino.

Foram essas mesmas mãos que o levavam, todos os anos, para Ribeira Julião, em São Vicente, onde sempre ficava “admirado” ao ver as pessoas a dançar a chamada “umbigada” ou colá San Jon.

Uma dança que o conquistou desde aquela data e que o fazia até fugir da escola, quando ouvia o rufar dos tambores.

“Não há nada que eu troque pelo San Jon, nem festa de fim-de-ano, nem nada. Gosto tanto que mesmo se estiver doente ponho-me logo bom”, declara Djô Bababa, à Inforpress, que diz ser algo que vem “de dentro”.

Por isso, afirma carregar nas veias o colá San Jon, mas aquele “tradicional” que aprendeu com os velhos e que quer preservar assim, “sem essa história de modernidades”.

“O colá San Jon é algo de terra e não devemos ter nem complexos e nem vergonha de o dançar como é”, aconselha este “colador”.

E é esse estilo antigo que Djô Bababa faz questão de ensinar às pessoas, inclusive a sua mulher com quem tornou-se o par campeão de quase todas as competições feitas em Ribeira de Julião, de 2007 a 2013.

“Antes competia, mas nunca ganhei o primeiro lugar, então voltei para a minha mulher e disse-lhe, vou te ensinar a colar e vamos ganhar, e assim aconteceu, ganhei de 2007 a 2010, o de 2011 não me quiseram dar, e depois 2012 e 2013”, conta.

Por causa disso, chegou até a ser homenageado e condecorado pela Associação Terra Tambor, que organiza, juntamente com a câmara, as festividades do São João.

Actualmente, este “colador” dança somente em apresentações e cerimónias, tal como uma de que se orgulha muito, ter dançado para o príncipe do Mónaco, que visitou São Vicente no ano passado.

“Colar é mesmo uma arte, é uma energia que nos atravessa todas as partes do corpo. Por isso, quando estou a colar perco o sentido de todas as coisas e já o fiz por mais de uma hora sem parar”, diz Djô Bababa, que afirma ser preciso ter “pernas e fôlego” para conseguir tal proeza.

Além disso, esse “mestre do balanço” segue algumas técnicas, como “começar tudo” pelo toque do tambor, “peça principal” do San Jon, mas também o apito.

“Devemos o sentir e viver levantando as mãos, que é um sinal de alegria e de louvor ao santo, e colar com a mulher que, ao contrário do homem, tem que estar com as pernas fechadas”, conta.

Essas são algumas dicas que Djô Bababa, aos 61 anos, tem tentado passar para a nova geração, que quer que dê continuidade à tradição.

“O que sei não posso deixar só para mim, então tenho é que o transmitir, partilhar, para ter continuidade”, assinala.

DJô Bababa tem transmitido esses conhecimentos nas escolas primárias de São Vicente e até em universidades, como o Instituto Universitário de Educação (IUE), e já viajou há alguns anos com o colá San Jon à capital, cidade da Praia.

Agora, este veterano gostaria de ter a chance de levar esse seu “tesouro” às comunidades cabo-verdianas na diáspora, que também vivem essa festa com a mesma intensidade.

LN/AA

Inforpress/Fim

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