REPORTAGEM/Santiago Norte: ter casa própria é o maior sonho das mulheres rurais que querem sair da pobreza (c/áudio)

*** Por Feliciano Monteiro, da Agência Inforpress ***
Assomada, 15 Out (Inforpress) –A maioria das mulheres rurais, em Santiago Norte, vive da extração de inertes, do comércio informal e em tempos da “azágua” passam o dia nos campos agrícolas e o “maior sonho” é ter casa própria e sair da pobreza.

No Dia Internacional da Mulher Rural, assinalado hoje, a Inforpress foi conhecer a história das “rabidantes” Rosilene Vaz “Zilena” e Carine Vaz da Veiga, de 29 e 26 anos, respectivamente, que assim como muitas mulheres do interior de Santiago não pedem muito para serem felizes.

Estas duas jovens, que vendem frutas no terminal rodoviário e espaços comerciais da cidade de Assomada, Santa Catarina, além do sonho de ter uma casa própria, dizem que querem apenas uma “mãozinha” das autoridades para implementarem projectos que lhes dêem rendimentos e que vão lhes tirar da pobreza.

“O meu desejo e para a minha felicidade é ter casa própria para viver com a minha família, para que eu possa ser independente e construir uma vida diferente”, vaticinou Carine da Veiga, residente em Nhagar, Assomada.

Ambas afirmam que não querem depender dos companheiros e apenas querem ter um rendimento para dar estudos aos filhos, ainda menores e apoio financeiro para montarem um negócio maior.

Assim como Zilena e Carine, várias mulheres das diferentes localidades dos seis municípios do interior de Santiago, que hoje, dia de feira em Assomada, deslocam-se à procura do ganha-pão para sustentar os filhos, pediram também acesso à terra e água, para implementarem os seus projectos e para trabalharem no regadio, tendo em conta as sucessivas secas.

E tendo em conta que também contribuem para a economia local e desenvolvimento do País, pedem uma “atenção especial” das autoridades para com as mulheres do meio rural, que alegam só entram na preocupação em tempos eleitorais, cujas promessas não são cumpridas.

Estas duas mães solteiras admitem que sem apoio das autoridades não vão conseguir ter uma casa para morar com os filhos, tendo em conta que actualmente os materiais de construção estão cada vez mais caros, por causa da crise mundial.

Advogam que a mulher do campo num bom ano agrícola não quer tanto do Governo e das câmaras municipais, até porque consideram-se “batalhadoras” e capazes de implementarem projectos que vão lhe tirar da pobreza.

As entrevistadas da Inforpress, que passam maior parte do dia fora de casa, de segunda-feira a sábado, pediram um espaço para deixarem os filhos depois do creche, jardim e escola, ainda atenção à violência baseada no género, combate à pobreza, saúde reprodutiva, casas de banho, acesso água canalizada e ao crédito para implementaram projectos ligados ao turismo rural.

Numa mensagem dirigida às mulheres rurais, por ocasião do Dia Internacional da Mulher Rural, assinalado hoje, sob lema “Mulheres rurais enfrentam a crise global do custo de vida”, o Presidente da República, José Maria Neves, destacou a resiliência das mesmas, que se dedicam, maioritariamente, à agricultura e pediu mais água e mais oportunidades para que estas possam ter mais rendimento e mais qualidade de vida.

“As nossas mulheres do campo são extremamente resilientes, têm um nível de combatividade extremamente grande, têm muita energia e têm muita capacidade de trabalho”, recordou o chefe de Estado.

No entender do mais alto magistrado da Nação, a melhor maneira de apoiar as mulheres, neste particular as rurais e a igualdade de género no mundo rural, é desenvolver de forma integrada as bacias hidrográficas, como na Ribeira do Principal e Ribeireta, em São Miguel, Ribeira dos Engenhos, Santa Catarina, e Alto Mira e Ribeira da Torre, em Santo Antão.

Ou seja, defendeu que é preciso mobilizar mais água e criar mais oportunidades para as mulheres rurais para que possam ter mais acesso ao rendimento e para que possam ter mais qualidade de vida no País.

Com a instituição deste dia, a 15 de Outubro de 1995, a Organização das Nações Unidas (ONU) pretende elevar a consciência mundial sobre o papel da mulher rural.

As mulheres rurais são agricultoras, camponesas, peixeiras, criadoras de gado e empresárias.
Elas desempenham um “papel essencial” no desenvolvimento agrícola, na segurança alimentar e nutricional e na gestão dos recursos naturais.

E, ainda, prestam cuidados, criam os filhos e participam das actividades comunitárias.

Apesar de um conjunto de actividades que as mulheres rurais realizam, que contribui para a economia do país, elas continuam sendo as mais pobres.

A população rural em Cabo Verde, e particularmente as mulheres em Santiago Norte, segundo os dados do último Recenseamento Geral da Agricultura, dedicam-se, maioritariamente, à agricultura de sequeiro.

FM/JMV
Inforpress/Fim

Facebook
Twitter
  • Galeria de Fotos