Search
Generic filters
Exact matches only
Search in title
Search in content
Search in excerpt
Filter by Categories
Politica
Desporto
Economia
Sociedade
Ambiente
Cooperação
Cultura
Internacional
Destaques
Eleições

Reportagem: Jovens criam escola de África para levar conhecimentos sobre o continente à comunidade (c/vídeo)

*** Por Hélio Robalo, da Agência Inforpress ***

Cidade da Praia, 21 Jul (Inforpress) – Dezasseis jovens do bairro de Calabaceira, na Cidade da Praia, decidiram dar corpo a uma “Skola D’África” (Escola de África), cujo objectivo é transmitir conhecimentos sobre o continente, nos mais diversos campos, envolvendo toda a comunidade local.

Em entrevista à Inforpress, Odair Rodrigues e Jeremias Varela contaram como surgiu a ideia de criar a escola e montar uma biblioteca, onde o acervo de livros mostra a vertente da história africana, contadas por escritores africanos.

Odair Rodrigues, ou Odá como é conhecido, explicou que a escola de África é mais uma voz da comunidade, para quem é também “a universidade de rua”, pelo qual é possível adquirir “conhecimentos que não são ensinados” no sistema educativo nacional, igrejas ou até mesmo em casa.

“Surgimos em 2015, um grupo de jovens que decidiram estar fora da vida de alcoolismo e outras drogas, por isso vimos a necessidade de ter alguma iniciativa dentro da comunidade, para trazer algo de positivo que possa mudar as coisas que não estavam bem”, avançou.

Segundo contou, o grupo era inicialmente formado por seis pessoas, que sentiram necessidade de abordar assuntos do dia a dia e, debate-las, com o intuito de dar respostas aos questionamentos que tinham e que nunca lhes foram mostrados.

Passado um tempo, indicou, o grupo cresceu, e, daí, observaram a importância de um espaço próprio, em que podiam ter iniciativas que estimulassem e despertassem o interesse das pessoas em conhecer a história do continente africano.

“A partir de então, criamos a escola, conseguimos também montar uma biblioteca, onde realizamos encontros habituais para debater várias questões ligadas à comunidade e não só”, afiançou.

De acordo com Odair Rodrigues, assuntos sobre a África foram muito pouco ensinados em Cabo Verde, por isso, considerou, vários problemas com que se depara na sociedade tem a ver com uma “crise de identidade” no País.

“Geograficamente, não estamos fora de África, nem cultural, mas sim mentalmente”, frisou.

Por sua vez, Jeremias Varela disse que os livros na biblioteca são chamados de afrocêntricos, e esse acervo contém “assuntos alternativos de aprendizagem”, com enfoque nos autores africanos de todos os campos.

“Há um leque de conhecimentos aqui de autores, escritores, filósofos e cientistas africanos com assuntos relacionados sobre a África”, enalteceu.

Revelou que os livros foram doados por várias pessoas, que a partir do momento que tiveram conhecimento do trabalho que realizavam, mostraram engajamento em contribuir para impulsionar o desenvolvimento da escola. 

Varela sublinhou, por outro lado, que a ideia é também levar esta iniciativa a outras comunidades, ressaltando que na maioria dos bairros do arquipélago “é possível encontrar bares dentro das comunidades, mas é muito difícil achar bibliotecas que ocupem os jovens”.

A “Skola D’África” tem recebido bom acolhimento da comunidade de Calabaceira, que passa agora a ter também visitantes de outras comunidades interessadas em participar nas actividades que estes jovens propõem.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos