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REPORTAGEM/Ilha do Sal: Vendedeira ambulante sonha ter casa própria (c/áudio)

*** Por Sandra Custódio, da Agência Inforpress ***

Espargos, 08 Mar (Inforpress) – Maria Pereira Monteiro, 47 anos, é uma vendedeira ambulante, residente há 20 anos no Sal, que sonha ter casa própria, pelo que apela a Câmara Municipal, hoje, Dia Internacional da Mulher, a ajudar-lhe a realizar esse sonho.

O sonho da casa própria faz parte da vida de muitas pessoas, ter um lugar aconchegante para chamar de “lar, nosso, meu…”.

E, Maria não foge à regra, embora para ela, conforme disse em entrevista à Inforpress, no âmbito das celebrações do Dia Internacional da Mulher, a realização desse desejo parece distante.

“Cada vez mais vem crescendo esse desejo para ver se saio de renda. Ter o meu próprio buraco para morar com os meus filhos e neto. Mas esse sonho parece tão distante, que me entristece, porque não tenho capacidade financeira”, lamentou com lágrimas nos olhos.

Conforme conta, veio para o Sal ainda jovem, à procura de melhores condições de vida, mas ao que parece, “não foi boa escolha”.

“A vida tem muitas voltas. E, quando comecei a ter filhos… complicou-se. Aí que a porca torceu o rabo”, exteriorizou, agradecendo, entretanto, a Deus pelos seus seis filhos e um netinho.

“Dos meus seis filhos, três vivem comigo. Um par de gémeos, com 18 anos, estudam no liceu, e um outro menino de seis anos, a estudar na Escola Nova. Sou a mãe e o pai deles. Pago renda… faço tudo sem apoio de ninguém. Levo uma vida sacrificada”, desabafou.

Hoje com 47 anos, vendedeira ambulante desde que chegou ao Sal, perante todo o sacrifício do “busca vida”, a lutar para dar de comer aos filhos, Maria desabafa que um dos maiores desesperos ou pesadelo da faina é ter fugir dos fiscais para que se não lhe tome a banheira com os produtos.

“Vivendo essa azáfama do dia-a-dia, pior será ainda poder construir uma casa. Mas tenho fé. E, aproveito essa oportunidade para pedir ao senhor presidente Júlio Lopes, ao vereador Jucelino Cardoso a apoiar-me na construção de uma moradia. Um buraco… Um quarto de casa com uma cozinha e casa de banho”, implorou.

Sentada, na Praça d’Água, com o seu carrinho de mão, onde vende de tudo um pouco, desde batata inglesa, banana verde, abóbora, tomate, bata doce, coentros, salsa, entre outras verduras, Maria disse que é com o resultado da venda do carrinho que advém o seu sustento.

“Daqui é que sai a renda de casa, pago a escola dos meninos, dinheiro para comer (…). Todos os meses tenho dificuldade em pagar a renda de casa. Mas vou me virando, confortada na graça de Deus”, disse.

“Peço a câmara, os fiscais, que não me tirem este carrinho. É este é o meu marido, que me ajuda a catar um pão de cada dia para não passar a fome, e suprir outras necessidades indispensáveis à vida”, desabafou.

Para se manter, explica que toma os produtos a crédito num fornecedor, retribuindo a parte que lhe cabe quando vender.

“As pessoas não fazem a mínima ideia da afronta, do desespero que é a minha vida quando se me toma o carrinho…”, conta, augurando o rápido funcionamento do Mercado Municipal dos Espargos, ainda em obras.

“Quando isso acontece, vou descontroladamente à câmara brigar… mas é o desespero que me leva a isso. Precisão não conhece cara feia. São lágrimas e lágrimas derramadas. Vida de pobre não é fácil, Sandra. Já diz o velho ditado que dinheiro dá poder…é verdade”, desafogou.

Considerando o facto de todos os meses ter dificuldade em pagar a renda de casa, Maria Pereira Monteiro, que conforme disse, já lhe foi atribuído um lote de terreno, porém, sem forças financeiras para o construir, pede ajuda, em bloco, pedra, cimento, areia…

“Ah…, tomara que o meu sonho de casa própria, venha a se transformar em realidade”, almejou.

SC/CP

Inforpress/Fim

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