Quinze navios previstos no projecto de desenvolvimento de uma frota de pesca do camarão-soldado no País – estudo

Mindelo, 08 Jun (Inforpress) – O estudo preliminar do projecto de desenvolvimento de uma frota pesqueira de camarão-soldado em Cabo Verde perspectiva a inclusão de 15 navios na pescaria no País, concluída a etapa de treino em três embarcações.

Aliás, o coordenador internacional do estudo, José António Gonzalez, considerou, na apresentação do estudo preliminar, que o produto é abundante nas águas de Cabo Verde, tem características biológicas favoráveis para uma exploração sustentável e pode ser “a joia marinha” do arquipélago.

Explicou que o camarão-soldado é um “caso inédito no mundo”, recurso em relação ao qual já foi feita a prospecção, a avaliação e a sua valorização gastro-económica e está, por isso, recomendada a sua pesca, que usa uma arte de pesca “amigável” para o ambiente e com um potencial de 200 toneladas/ano no arquipélago.

Da parte do Instituto do Mar (Imar), Elísia Cruz considerou que o projecto de desenvolvimento de uma frota pesqueira de camarão-soldado em Cabo Verde é um exemplo de que as oportunidades no mar não se devem limitar ao potencial conhecido, mas abranger as oportunidades de novos e futuros recursos.

Com este projecto, adiantou, pretende-se “potencializar um produto nacional, criar as condições de sustentabilidade” e, “o mais importante”, a competitividade do tecido empresarial do sector das pescas, até porque, sintetizou, o projecto emana de uma acção de transferência de tecnologia, conhecimento e ‘know-how’ para o desenvolvimento da pesca semi-industrial, através da pescaria do camarão-soldado nas águas de Cabo Verde.

Assume também, di-lo Elísia Cruz, a valorização económica do produto nacional e “mais rendimento e bem-estar para as famílias”, daí o engajamento do Imar como instituto parceiro técnico/científico do projecto desde a primeira hora, “num olhar”, por um lado, para a exploração de um novo recurso e, por outro, para a investigação científica e tecnológica, capaz de permitir conhecer o que existe de potencial e aplicação de novas tecnologias menos impactantes para o meio ambiente.

O Imar é a autoridade técnica nacional no domínio da investigação haliêutica, oceanográfica, biologia marinha e pesqueira, aquacultura, desenvolvimento das tecnologias de pesca e do pescado e estatísticas da pesca.

Da parte do Banco Mundial, que co-financia o projecto, António Baptista destacou o camarão-soldado como produto “muito interessante” de um dos subcomponentes do envelope financeiro de Iniciativa de Pesca Costeira, com “todos os ingredientes” que convergem para “uma avenida” para o desenvolvimento de uma pescaria nova em Cabo Verde.

O responsável sublinhou que é “gratificante” saber que nesta fase do projecto há já operadores retalhistas interessados em comprar o produto.

Sobre os resultados preliminares do projecto, António Baptista considerou que eles são “bastante promissores” e que remetem para uma oportunidade de investimento “bastante interessante” neste sector, pelo que o Banco Mundial já se encontra em diálogo com outros parceiros para expandir o projecto para outras ilhas, processo que espera concluir “em breve”.

Informou que o Banco Mundial detém outros envelopes dentro do pacote financeiro Iniciativa de Pesca Costeira, como o de conversão da frota, um trabalho de análise e proposta de desenho preliminar para o Pontão de Santa Maria, na ilha do Sal, e ainda uma terceira actividade, um modelo possível para um sistema de lota de pesca em Cabo Verde, para desenvolver essa cadeia de valor.

“Estamos na abertura de um novo ciclo de colaboração e engajamento forte na Economia Azul no seu todo”, congratulou-se o representante do Banco Mundial, para quem este envelope Iniciativas Pesca Costeira tem como desafio operadores do sector privado.

A nível da pesca costeira e o desenvolvimento da cadeia de valor, admitiu haver “uma via aberta para explorar várias colaborações e assistência técnica”, no âmbito da estratégia do Governo e do Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável.

Lembrou, por fim, que, recentemente, foi aprovado o novo Projecto de Turismo e Economia Azul, cerca de 35 milhões de dólares, que será implementado a partir do corrente mês de Junho, um pacote “muito extenso” do Banco Mundial, do qual consta um envelope “muito robusto” de Economia Azul virado para assistência técnica e infra-estruturas.

AA/CP

Inforpress/Fim

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