Quatro cabo-verdianos participam em formação no Brasil sobre tratamento, recuperação e reinserção dos toxicodependentes

 

Cidade da Praia, 08 Out (Inforpress) – Quatro jovens cabo-verdianos com experiências no domínio das toxicodependências vão ao Brasil participar numa formação de facilitadores de grupos de auto-ajuda para dependentes de álcool e outras drogas, no âmbito do projecto da “Fazenda Esperança”.

Luís Pinto, vice-presidente da Associação Cabo-verdiana de Prevenção do Alcoolismo e presidente do Grupo Terapêutico da Praia, Carlos Correia, adito em recuperação há 12 anos, Cláudia dos Santos, familiar de dependente químico desde infância e Katia Correia, estudante de Sociologia e sensível a problemática pela vivência desde tenra idade, são os que vão participar na formação, que decorre de 11 a 16 de Outubro, em Manaus, Brasil.

Em declarações à Inforpress, o presidente da Associação Cabo-verdiana de Prevenção do Alcoolismo, Orlando de Borja, um dos promotores, explicou que o projecto da “Fazenda Esperança” é a maior obra da América Latina, desenvolvendo a actividade de cura e recuperação de dependentes do álcool e outras drogas.

Segundo o responsável, o tratamento, a recuperação e reinserção de dependentes do álcool e outras drogas é, neste momento, das “maiores” necessidades e desafios que Cabo Verde enfrenta, porque constituem áreas com “bastantes dificuldades” de respostas e que pela sua complexidade, requerem recursos e “vontades sólidas” para se obter resultados palpáveis.

De acordo com Orlando de Borja, a acção de capacitação em Manaus denomina-se de “Escola de Grupo de Esperança Viva – GEV” para facilitadores desses grupos que constituem um dos pilares do trabalho realizado pela “Fazenda Esperança” que se baseia no tripé “convivência em família, trabalho como processo pedagógico e espiritualidade para se encontrar um sentido de vida”.

A “Fazenda Esperança” chegou a Cabo Verde através da Diocese de Santiago e tem em construção, na localidade de João Varela, concelho da Praia, um “grande centro” de tratamento, recuperação e reinserção de dependentes de substâncias psicoactivas que será inaugurado ainda este ano.

“Vão ser quatro grandes casas, sendo que duas estão praticamente finalizadas, e que numa primeira fase vão acolher 70 pessoas em regime de internamento”, revelou Orlando Borja, sublinhando que a ideia é chegar a outros pontos do país com o referido projecto.

O bairro de Safende, uma das primeiras comunidades afectadas pelo tráfico e consumo de drogas em Cabo Verde, foi também o primeiro a receber o Grupo de Esperança Viva, há cinco meses, e hoje, conforme Borja, é uma “alegria” constatar que essa comunidade está a contribuir para uma das “mais importantes respostas sociais” para o país.

O projecto “Fazenda Esperança” é uma comunidade terapêutica com mais de 30 anos de experiência na recuperação de jovens dependentes químicos e tem ajudado milhares de famílias em 15 países do Ocidente ao Oriente, através das suas actividades.

A taxa de sucesso desse trabalho é de aproximadamente 80% e um dos elementos que contribuem para isso são os facilitadores dos grupos de acompanhamento dos jovens em recuperação, GEV.

DR/JMV

Inforpress/Fim

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