Qualidade na educação pré-escolar com fragilidades na qualificação dos professores e estruturas sem condições – estudo

Cidade da Praia, 21 Jan (Inforpress) – Um estudo sobre “Qualidade na educação pré-escolar” concluiu que grande parte das estruturas é inadequada, professores sem qualificação necessária e elevado número de crianças por professor nas salas de aulas.

O estudo, realizado pela Rede Nacional de Campanha de Educação para Todos de Cabo Verde (RNCEPT-CV), foi apresentado na Cidade da Praia e tem por objectivo contribuir para uma educação “inclusiva e sustentável” no País.

Segundo adiantou o consultor e apresentador Gilvan Santos, o estudo teve como finalidade analisar o custo e a qualidade da educação actual e qual é o custo necessário para ter uma educação de qualidade e teve como amostra jardins infantis da Praia, São Vicente, Sal, Boa Vista e Santo Antão.

“Concluímos que o que se gasta em Cabo Verde por ano por cada aluno tem que ser aplicado por mês, ou seja, o estado tem de investir 27 mil escudos por mês por cada criança para ter uma educação de pré-escolar com qualidade”, realçou o consultor que adiantou ainda que foram constatadas que existem fragilidades a nível da qualificação dos professores sendo que grande maioria inicia a formação superior, mas nunca chegam a concluir os estudos.

Por outro lado, os dados mostram que muitas das escolas do pré-escolar foram adaptadas para receber alunos, as casas de banhos são inadequadas sem condições mínimas necessárias e sem privacidade para as crianças.

“Grande problema do pré-escolar é o número de crianças por professor, onde constatamos que cada sala tem cerca 25 a 30 crianças, enquanto a média é de 14, e algumas estruturas do pré-escolar não tem licença ou autorização de funcionamento sobretudo na ilha da Boa Vista”, revelou.

Durante o encontro foi feita também a apresentação do estudo sobre a privatização da educação em Cabo Verde no ano lectivo 2016/2017 e concluiu que dos 136.238 alunos inscritos no sistema educativo 11,7% estão no sector privado.

Por seu turno, a directora nacional de Educação, Sofia Figueiredo, reconheceu que existem lacunas a nível da qualidade no pré-escolar no sector privado, mas sublinhou que neste momento estão em curso com um conjunto de medidas que visam melhorar essa falhas.

Assegurou que neste momento o ministério está a trabalhar na fase final do normativo que regulamenta o funcionamento do pré-escolar, e deve ter em conta sobretudo a questão do espaço físico e de equipamento lúdico pedagógicos.

“Neste momento temos também um outro projecto que vai trabalhar sobretudo o reforço do pré-escolar, quer a nível das orientações pedagógicas, curricular, das actividades desenvolvidas nas salas de aulas para criação de competências específicas aos alunos para a entrada do básico, mas também o reforço a nível das formações”, sublinhou.

Por outro lado, adiantou também que estão a trabalhar no processo de fiscalização sendo que estão a ser implementadas um conjunto de acções para melhorar a parte física dessas estruturas, mas também a parte pedagógica.

AV/AA

Inforpress/Fim

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