Protecção dos direitos autorais faz com que os criadores se sintam profissionais – Arlindo Évora

Cidade da Praia, 19 Dez (Inforpress)  – O músico compositor e intérprete da banda Cordas do Sol,  Arlindo Évora, considera uma “grande vitória” para a comunidade artística o reconhecimento de gestão colectiva do direito do autor e dos direitos conexos.

O diploma foi recentemente aprovado no parlamento e, para o mentor da banda santantonense fundada em 1994, e especializada, sobretudo, na preservação da música tradicional cabo-verdiana, trata-se de uma forma de valorizar os criadores da música e não só, em relação a “alguma recompensa financeira”, no que concerne a direitos de autor e direitos conexos, com este diploma que regula a constituição, organização, funcionamento e atribuições das entidades de gestão colectiva do direito do autor dos direitos conexos.

A banda, afiançou, aplaude a todos os intervenientes que reconhecem o esforço dos criadores para a preservação da música cabo-verdiana, enquanto cartão postal destas ilhas, alegando que este reconhecimento não só estimula, como também premeia a qualidade e o rigor, com o argumento que os criadores se sentem mais motivados.

Ainda assim, fez questão de explicar que “quem faz a música, faz de uma forma espontânea e intuitiva, por vocação e por inspiração”, asseverando “ser bom que o trabalho seja reconhecido, tendo em conta que a criação deve ser valorizada em qualquer área, de forma que os direitos intelectuais sejam protegidos e para que os criadores se sintam profissionais naquilo que fazem”.

Sócio fundador da Sociedade Cabo-verdiana de Musica (SCM), Arlindo Évora entende que era quase impensável no século XXI ter grandes compositores e criadores que não beneficiavam de nada com as suas criações.

Estranha que  os meios de comunicação social com as rádios e televisões, assim como as publicidades das empresas, bem como a reprodução mecânica dos produtores crioulos não passavam pelo crivo dos pagamentos dos direitos.

“Tudo era banal, de uma forma mais simples e desconhecido. Isto é um processo longo porque os direitos autorais é uma área de especialidade muito complicada, não só juridicamente, mas também pela mudança de mentalidade e montagem de todos os elementos que completam o sistema”, sublinha Évora que enaltece o trabalho da SCM no sentido de levar avante esta missão.

Assegura que Corda do Sol, com quatro álbuns no mercado discográfico, designadamente “Linga d’Sentonton”, lançado em 2000 “Marijoana” em 2002, “Lume de Lenha” (Wood Fire) em 2009 e “Na Montanha” em 2015, e um único CD de músicas compiladas  o mercado internacional “Terra de Sodade” (2004), continuará a trabalhar nesta área, cvada vez mais, com mais entusiasmo.

O grupo conta quatro prémios pela CVMA, de entre vários outros, diplomas de mérito de reconhecimento pelo contributo no desenvolvimento da cultura cabo-verdiana e tem passagem por países da Europa, África, América e Ásia

Em relação à candidatura da morna ao Património Imaterial da Humanidade junto da UNESCO, Arlindo Évora disse ter uma expectativa muito grande, alegando que “a morna é sublime, significa a alma e uma identidade muito forte”, pelo que se sente orgulhoso em integrar o grupo dos criadores deste género tradicional cabo-verdiano.

“Há elementos suficientes para que possamos ser valorizados e avaliados positivamente nesta candidatura. Já estou ansioso para ver a avalanche da criatividade que vai surgir após a aprovação da morna. Vai haver surpresas muito agradáveis de certeza absoluta”, finalizou à Inforpress.

SR

Inforpress/Fim

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