Propósito lançado pelo PM em dar o nome de Pelé ao Estádio Nacional gera onda de contestação

Cidade da Praia, 05 Jan (Inforpress) – A intenção do chefe do Governo em atribuir o nome de Pelé ao Estádio Nacional, anunciada na quarta-feira, 04, está a provocar uma onda de contestação, sobretudo da comunidade desportiva cabo-verdiana e não só, essencialmente nas redes sociais.

Também nos cafés, bares, restaurantes, praças e campos de futebol de entre outros pontos de concentração popular, esta comunicação de Ulisses Correia e Silva, entretanto dada como certa na rede social do Instituto do Desporto em como “o Governo de Cabo Verde decidiu homenagear o Rei Pelé atribuindo o seu nome ao Estádio Nacional, localizado em Monte Vaca, na ilha de Santiago”, praticamente não tem merecido aprovação.

Certo é que o primeiro-ministro tornou público que a FIFA já foi comunicada sobre esta intenção do executivo cabo-verdiano, enquanto instituição a lançar o repto, e que “almeja poder concretizar brevemente este acto simbólico”.

“Pelé foi e será sempre uma referência no Brasil, na nossa lusofonia e em todo resto do mundo, sendo um ídolo que liga várias gerações. Como homenagem e reconhecimento a esta figura que nos engrandece a todos, manifesto a intenção de nomear o nosso estádio nacional, como “Estádio Pelé”, numa iniciativa ao qual, acredito, vários países pelo mundo nos acompanharão”, ressalta a missiva de Correia e Silva.

Esta comunicação do chefe do Governo tornou-se viral, já que tem sido sistematicamente reproduzida pelos cibernautas, cuja larga maioria contesta esta tomada de posição, propondo uma consulta popular.

Os contestatários reconhecem, entretanto, o que Edson Arantes de Nascimento, desportivamente conhecido como Rei Pelé, tricampeão do mundo pelo Brasil, fez para o futebol.

O presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF), Mário Semedo, questionado durante uma conferência de imprensa para a convocatória da selecção feminina, disse que a instituição que dirige não foi “auscultada” sobre a possibilidade de atribuir ao Estádio Nacional o nome “Estádio Pelé” e que só tomou conhecimento nas redes sociais.

Inaugurado em Agosto de 2014, o Estádio Nacional, a maior infra-estrutura desportiva do País, é propriedade do Governo de Cabo Verde, gerida pelo Instituto do Desporto e da Juventude, através da Direcção de Infra-estruturas.

Edificada na localidade de Achada São Filipe, na Cidade da Praia, a infraestrutura desportiva ocupa uma área de cerca de 11.530 metros quadrados, com capacidade para albergar 15 mil pessoas sentadas, sendo cinco mil cobertos.

O Estádio Nacional está equipado com relva sintética, dispõe de uma pista de atletismo, em tartan, com oito corredores, torres de iluminação e 80 câmaras de vigilância, com capacidade para alcançar 300 a 500 metros dos acontecimentos em redor.

O espaço possui, ainda, balneários, cabine de imprensa, salão para fisioterapia, espaços apropriados para a polícia, bombeiros e médicos e outros agentes desportivos, bem como um espaço externo, ao lado do estádio, para a prática das disciplinas de lançamentos no atletismo – dardo, disco e martelo.

Pelé morreu na quinta-feira, 01, aos 82 anos, no hospital israelita Albert Einstein, em São Paulo, na sequência da falência de múltiplos órgãos, resultado da progressão do cancro do cólon.

O ex-futebolista estava internado desde o dia 29 de Novembro naquele hospital para tratamento de quimioterapia a um tumor no cólon e tratamento de infeção respiratória.

Nascido em 23 de outubro de 1940 na cidade Três Corações, em Minas Gerais, Pelé foi o único futebolista três vezes campeão do mundo, em 1958, 1962 e 1970, marcou 77 golos nas 92 internacionalizações pela seleção brasileira e jogou pelo clube brasileiro Santos e pelo Cosmos, dos Estados Unidos.

Foi ainda ministro do Desporto no governo de Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 1998, e eleito o desportista do século pelo Comité Olímpico internacional (1999) e futebolista do século pela FIFA (2000).

SR/AA

Inforpress/Fim

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