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Professor universitário diz que o Português tem sido um “problema estrutural” de todos os subsistemas do ensino (c/áudio)

Assomada, 21 Fev (Inforpress) – O professor universitário Luís Rodrigues disse hoje que o Português, reconhecido como a segunda língua em Cabo Verde, tem sido um “problema estrutural” de todos os subsistemas do ensino cabo-verdiano.

“O Português tem sido um problema estrutural de todos os subsistemas do ensino e nós, no Ensino Superior, recebemos alunos depois de 12 anos de formação, onde era expectável que o seu domínio da Língua portuguesa fizesse mais jus às exigências do primeiro ano da universidade, por exemplo, mas o que nós encontramos é muitos anos de acumular de défices”, lamentou este docente da Universidade de Santiago (US).

O também chefe de Departamento de Ciências da Educação, Filosofia e Letras (DCEFL) da US fez essas considerações em declarações à Inforpress, à margem de uma conferência que esta instituição de Ensino Superior, através do Curso de Mestrado em Pedagogia, promoveu e que teve como tema “Língua Cabo-verdiana e Língua Portuguesa: Coexistência e Implicações no Processo Ensino-Aprendizagem, ” para assinalar o Dia Internacional da Língua Materna que se assinala hoje.

Para o docente, o facto de a sociedade estar a “abraçar” cada vez mais a língua cabo-verdiana fez com ela perdesse o “hábito de se dirigir às pessoas em Língua Portuguesa”, sobretudo nas instituições e lojas, mas isso, segundo ele, acontece “cada fez menos”.
Aliás, acrescentou que isso nota-se também nos alunos que chegam às universidades.

“Nós não podemos ficar de braços cruzados, pura e simplesmente, ou culpar outros subsistemas do ensino ou culpar a sociedade, não. Nós, enquanto instituições do Ensino Superior, mas em coordenação com outros subsistemas desde EBO (Ensino Básico Obrigatório) ao Ensino Secundário, temos que, pelo menos, passar esta mensagem e alertar as pessoas dos problemas graves que daqui advém e juntos tentarmos buscar soluções”, propôs.

No caso da US, o especialista em Português como Língua Segunda/Língua Estrangeira avançou que uma das soluções ao nível da oferta formativa é a abertura, “muito em breve”, de um curso de mestrado em “Português como Língua Segunda”, que vai mudar a metodologia e a forma de ensinar a Língua portuguesa, daí segundo ele ser a “solução”.

“Não podemos continuar numa realidade em que o ensino da Língua Portuguesa em Cabo Verde é praticamente uma cópia daquilo que se pretende fazer em Portugal, com metodologia de língua materna que não é de facto aqui em Cabo Verde, que é assumidamente língua segunda, e que o Governo já reconheceu isso também nas suas metodologia a adoptar”, criticou o também professor da Língua Portuguesa na US.

Conforme explicou, a US quer, através deste mestrado, também vir passar essas metodologias de forma que possa tentar transformar “um bocadinho” aquilo que é o ensino da Língua Portuguesa em Cabo Verde, acreditando que o mesmo vai contribuir, não só para a melhoria de todo o sistema educativo, mas também para a própria justiça social da sociedade cabo-verdiana.

“Quem fala português tem acesso a bens culturais, é mais bem visto na sociedade e quem tem dificuldade na Língua Portuguesa, por muito que seja um técnico fenomenal nas suas áreas, é sempre mal visto pela sociedade. E nos temos de facto que começar a mudar este ‘status quo’” advogou Luís Rodrigues.

O evento, que decorreu durante todo o dia de hoje, nas instalações da Escola Secundária Armando Napoleão Fernandes, reuniu professores da Língua Portuguesa de todos os liceus da região de Santiago Norte.

FM/JMV

Inforpress/Fim

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