Professor universitário alerta para o perigo das “ratoeiras nas redes socais” que fragilizam a amplitude da liberdade

Cidade da Praia, 19 Jan. (Inforpress) – O professor universitário Silvino Évora alertou hoje para a necessidade dos utilizadores estarem atentos às “ratoeiras nas redes sociais” que colocam a amplitude da liberdade na situação de fragilidade, acabando por dificultar a participação das pessoas no espaço público.

Durante a sua alocução sobre a temática “A comunicação social e as redes sociais na consolidação da democracia”, no quadro de “O processo de construção da democracia em África”, Silvino Évora teceu estas informações, alertando que há “interesses e teias” e que neste mundo de redes sociais existe censura submergida por interesses múltiplos e incontroláveis aos utilizadores, inibindo a liberdade de expressão e de pensamento.

Nesta conferência, promovida pela Presidência da República, no quadro da “Semana da República”, Évora classificou as redes sociais como uma transição entre o universo intangível e o tangível, que se interpenetram, enquanto mundos em aliança na linha das plataformas existentes a nível da sociedade e da fomentação da democracia.

Jornalista de formação, fez questão de destacar a evolução da comunicação a nível do século XX, mas sublinhou que muitas vezes no mundo on-line existem penetras que acabam por entorpecer a participação dos utentes nos espaços públicos, porquanto dificulta a comunicação ao observar os dados.

O evento contou ainda com a intervenção da analista Rosário da Luz, que abordou a temática “Democracia cabo-verdiana: ameaças e desafios”.

Na sua análise, ressaltou que Cabo Verde tem uma “democracia importada”, mas que ainda não foi culturalmente nem ideologicamente apropriada pelo cidadão cabo-verdiano, nem pelos utentes do poder.

Referiu que o cabo-verdiano foi sistematicamente condicionado para aprender as regras da sobrevivência, não para as questionar e segui-las facilmente, alegando que o Estado soberano não foi produzido por Cabo Verde, por entender que veio na sequência de uma corrente história da qual pertencia, com limitações ideológicas enormes.

Sublinhou que Cabo Verde tem uma democracia “jovem, insegura, refém dos totalitários” que governaram o povo durante os 500 anos e que nunca se ultrapassou a bipolaridade partidária, isto é, que nunca atingiu a verdadeira pluralidade.

Daí considerou que a economia cabo-verdiana, apesar da democratização pública, continua firmemente nas mãos do Estado, ao mesmo tempo que deixou sugestões sobre caminhos a trilhar para o desenvolvimento de Cabo Verde.

Também presente nesta conferência, o enviado especial do presidente da República do Senegal Jean Paul Dias, cabo-verdiano de origem, nascido em Dakar, traçou o quadro regional no âmbito da temática do exercício do poder e a Constituição em África.

SR/JMV

Inforpress/Fim

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