“Processo de emancipação da mulher tem sido acompanhado da sua presença na escrita” – Vera Duarte (c/áudio)

Lisboa, 29 Abr (Inforpress) – A escritora Vera Duarte considerou que o processo de emancipação da mulher em Cabo Verde tem sido acompanhado da presença feminina “massiva” na escrita, com “um papel de destaque” na escrita criativa.  

Essa ideia foi defendida por Vera Duarte, em declarações à Inforpress, em Lisboa, explicando que apesar de “muita dificuldade”, agora uma mulher consegue publicar mais cedo, o que não aconteceu com ela que, mesmo tendo começado a escrever ainda muito nova, só publicou o seu primeiro livro aos 40 anos.

“Na escrita criativa, a mulher tem estado a ter um papel de mais destaque. Se há alguma coisa que possa relevar no panorama literário cabo-verdiano, para além de termos todos os estilos e géneros, é a presença massiva das mulheres a escreverem. Por isso, o processo de emancipação da mulher tem se feito acompanhado da presença da mulher na escrita, permitindo o desenvolver desse processo de emancipação da mulher”, defendeu.   

Segundo Vera Duarte, as mulheres começaram a escrever desde início da aventura literária cabo-verdiana, em finais do século 19, como Antónia Pusic, Gertrudes Ferreira Lima e Maria Luísa Sena Barcelos, mas elas ficaram “muito esquecidas”, sendo que muitas das que vieram depois, só vieram a publicar livros com a independência, como a Maria Margarida Mascarenhas, a Iolanda Moras ou a Orlanda Amariles.

“Agora, além de estarmos a escrever, estamos a garimpar o terreno de tudo que foi escrita da mulher para trazermos e falarmos disso”, disse a escritora, esclarecendo que não está a tirar mérito dos homens que estão a escrever, mas que pensa que “uma grande pujança e um grande fulgor da escrita feminina tem estado a marcar muito a contemporaneidade” cabo-verdiana.  

A poeta e activista dos direitos humanos Vera Duarte participa no mês de Julho no Festival Internacional de Medellín, Colômbia, promovido pelo World Poetry Movement (Movimento Mundial da Poesia), do qual é integrante e, ainda em Novembro, deve participar no centenário da Semana de Arte Moderna, no Brasil. 

Vera Duarte é membro da Academia de Letras de Cabo Verde, da Academia de Ciências de Lisboa e da Academia Gloriense de Letras e vencedora do Prémio Sonangol de Literatura (2004), do Prémio Femina de Mulheres de Destaque (2020) e Prémio Literário Guerra Junqueiro, Lusofonias (2021) e Prémio José Aparecido de Oliveira de Honra e Glória ao Mérito, nos 25 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). 

“Amanhã amadrugada”, “O arquipélago da paixão”, “A candidata”, “Preces e súplicas ou os cânticos da desesperança”, “Construindo a Utopia”, “Ejercicios poéticos”, “A palavra e os dias”, “A matriarca – uma estória de mestiçagens”, “De risos & lágrimas”, “A reinvenção do mar”, “Cabo Verde um roteiro sentimental”, “Naranjas en el mar”, “Contos crepusculares – metamorfoses”, “Desassossegos & acalantos – microcontos”, “Vénus crioula” e “Urdindo palavras no silêncio dos dias” são as obras publicas pela autora. 

DR/AA

Inforpress/Fim 

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