Príncipe/Eleições: Voz mais crítica à governação da UMPP de Filipe Nascimento tem origem em Santa Cruz

Santo António, Região Autónoma do Príncipe, 22 Set (Inforpress) – Conceição Moreno, candidato a deputado nacional pelo MLSTP/PSD pelo círculo do Príncipe é a voz mais crítica à actual governação da UMPP de Filipe Nascimento no poder há 16 anos.

Aos 42 anos, filho de país cabo-verdianos naturais do concelho de Santa Cruz, interior de Santiago, e que aportaram a São Tomé e Príncipe na década de 40 do século passado, “São”, como é popularmente conhecido na ilha do Príncipe, ganhou o apelido de “Sr. Oposição”.

Na reta final das acções de campanha para as eleições regionais de 25 de Setembro, o MLPT/PSD, que para estas eleições se apresenta em coligação com o Movimento Verde para o Desenvolvimento do Príncipe (MVDP), liderado pelo jurista Nestor Umbelina, detalhou à Inforpress o projecto eleitoral para o Príncipe.

O projecto, que identifica os sectores onde “há problemas graves”, como Saúde, Agricultura, Pesca, Educação, indica “soluções à medida desses problemas”, de acordo com o partido no Príncipe.

“Neste momento, entendemos que a ilha se encontra vazia, há um défice de governação em todos os sectores: a nível da agricultura, das pescas, dos transportes, da saúde e da educação. Ou seja, nós regredimos. Nós passamos pelo processo de autonomia, com algumas conquistas, havia questões que se resolviam aqui a nível administrativo, de trabalho, em várias outras áreas, hoje perdemos esta autonomia por má política implementada pelo Governo da UMPP, no poder há 16 anos”, indicou.

Diagnosticando “uma grave crise económica e social na ilha”, Conceição Moreno defende a necessidade de “criar condições, quer de transportes, para ligar Príncipe e São Tomé, quer de economia, para que se venha a gerar uma melhor coesão territorial nessas áreas”.

“A nível da agricultura, entendemos primeiro que é necessário apostar e apoiar a agricultura de subsistência, que decaiu na região. Nós dantes exportávamos para a ilha de São Tomé vários produtos agrícolas, e hoje a região está a importar esses mesmos produtos para serem consumidos cá na ilha. É um retrocesso”, criticou.

Caso a coligação ganhar as eleições de domingo, o partido propõe inverter a situação, criando condições para o trabalhador agrícola.

“Temos uma ilha que chove, com solo fértil, há condições climáticas favoráveis para a produção agrícola. Mas não há produção, porque não há incentivos aos agricultores. E hoje vive-se no Príncipe com um custo de vida extremamente elevado, porque o mercado já não joga com a lei da oferta, mas sim da procura”, explicou, defendendo a criação de crédito agrícola a quem vive amanhando a terra.

Nas pescas, a MLSTP/PS quer uma maior valorização destes profissionais, através de mais e melhor formação, a protecção das artes de pesca tradicionais e melhor escoamento e comercialização do pescado para garantir melhores rendimentos aos pescadores.

“A nível das pescas, entendemos que os pescadores e todos aqueles que vivem dessa actividade devem ter condições básicas e de segurança para o fazer. Desde logo, o próprio combustível que, além de estar sempre em ruptura no mercado, é vendido a um preço exorbitante, que encarece o pescado. Nós precisamos arranjar formas de o próprio Governo vir a subvencionar o combustível para que seja vendido a um preço moderado para os pescadores”, defendeu, indicando ser necessário atribuir também aos pescadores embarcações com motores fora de bordo, numa ilha onde ainda muitos “pescadores vão à faina a remo”.

Para o candidato a deputado, a saúde é um direito de todos e o MLSTP/PSD não baixará os braços até que a população tenha essa garantia e, nesse sentido, considera fundamental que se reforce o quadro de pessoal médico, de enfermagem e de auxiliares de acção médica no Hospital da ilha, bem como considera fundamental que se invista numa prestação “efectiva de cuidados continuados e paliativos”.

Relativamente aos transportes e acessibilidades, o partido entende que a abertura dos transportes aéreos à concorrência traria benefícios nomeadamente na qualidade de serviço prestado bem como na redução de tarifas.

Segundo Conceição Moreno, nestas eleições “está em causa o presente e o futuro” da Região Autónoma do Príncipe.

“Trata-se de escolher”, afirma, entre continuar “tudo mesma” ou “investir em novas e melhores políticas”, com o MLSPT/PSD apresentar “proposta de novas políticas para a educação, saúde, transportes e acessibilidade, ambiente e sustentabilidade, agricultura, pescas e turismo para a ilha”.

Conceição Moreno considera que o MLSTP/PSD é o partido que mais tem levantado a voz para defender o Príncipe e os principiences, enquanto outros “nada dizem”.

“O nosso partido entende que é urgente a adopção de um conjunto de medidas que irão melhorar os rendimentos dos habitantes e promover o relançamento económico da ilha”, disse, considerando que o governo da UMPP falhou em tudo, nesses 16 anos de governação.

“É tempo de reconhecer que o modelo de desenvolvimento que se adoptou na Região não responde ao presente e é incapaz de nos conduzir ao desenvolvimento sustentável da nossa ilha”, concluiu.

Pelo menos 50 candidatos de origem cabo-verdiana estão na corrida às eleições legislativas, autárquicas e regionais santomenses de 25 de Setembro.

Mais de 120 mil eleitores, incluindo a diáspora, estão recenseados para votar nestas eleições, às quais concorrem dez partidos e uma coligação: Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social Democrata (MLSTP/PSD), Ação Democrática Independente (ADI), Basta, Movimento Democrático Força da Mudança/União Liberal (MDFM/UL), União para a Democracia e Desenvolvimento (UDD), CID-STP, Muda, Partido Novo, Movimento Partido Verde, Partido de Todos os Santomenses (PTS) e a coligação Movimento de Cidadãos Independentes/Partido Socialista/Partido da Unidade Nacional.

As eleições legislativas elegem 55 deputados à Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe. A ADI foi o partido mais votado nas eleições de 2018, elegendo 25 deputados, seguida pelo MLSTP/PSD, que conseguiu 23 assentos.

JMV/ZS

Inforpress/fim

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