Presidente português impressionado com natureza e capacidade de resistência do Fogo e da sua gente

 

São Filipe, 09 Abr (Inforpress) – O Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, que visita a ilha do Fogo pela primeira vez, mostrou-se hoje impressionado com a natureza e sobretudo com a “capacidade ilimitada de resistência” da sua gente.

Na paisagem lunar de Chã das Caldeiras, onde almoçou, Marcelo Rebelo de Sousa, disse que a sua primeira visita ultrapassa aquilo que tinha pensado por o Fogo ser impressionante quer como natureza e como capacidade de resistência, de fazer e de construir, capacidade de resistência que considerou de ilimitada.

Apontou dois casos exemplos desta capacidade de resistência, sendo um a Casa Marisa, que depois dos estabelecimentos que tinha foram comedidos pelas lavas, mas arrancou, reconstruiu e tem uma pequena pousada que é um “grande sucesso”, infra-estruturas que construiu no espaço de ano e meio.

Outro caso destacado por Marcelo Rebelo de Sousa, é a adega, sítio onde almoço, que em 2014 produziu mais de 250 mil litros de vinho, que foi também destruída pela erupção vulcânica, mas foi reconstruída em 2015 e, no ano passado, produziu mais de 70 mil litros de vinho.

No entanto, disse que não se pode esquecer de que as erupções foram em 1951, 1995 e 2014 e que, contrariamente ao que se pensava, o ciclo era de 40 anos, mas foram 20 anos.

“É o retrato concreto deste povo que viemos aqui visita e admirar”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, para quem, além do ideal, que é visitar a ilha do Fogo, bom seria se pudesse ser complementado com a deslocação à Brava, terra de origem do Presidente cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca.

“Fogo não se podia perder e ainda bem que não se perdeu”, afirmou o Presidente português, que também destacou os membros do governo e da Assembleia da República Portuguesa que o acompanha nesta deslocação.

Segundo o chefe de Estado português, a visita ao Fogo tem alguns pontos de interesse, tais como inteirar do plano de realojamento, ver a colaboração que tem existido e possibilidade de ser aprofundada em matéria de estudos vulcânicos entre Portugal e Cabo Verde, mas também do ponto de vista agrícola e pela capacidade de ultrapassar todos os problemas, caso do vinho e queijo, para que Portugal, além de prevenção e acompanhamento das actividades vulcânicas pode, eventualmente, ter uma palavra a dizer em termos de projectos de realojamento e relocalização de quem foi atingido completamente pela ultima erupção vulcânica.

Marcelo Rebelo de Sousa destacou a similitude existente entre cabo-verdianos e portugueses quanto a capacidade de resiliência, indicando que a comunidade crioula em Portugal é exemplo dessa resistência, assim como os portugueses que venham a Cabo Verde e investem para criar riqueza, é exemplo de resistência.

O Presidente português considera que há imensas oportunidades para investimentos portugueses em Cabo Verde, quer na área de padeiras e pastelarias, indústria, colaboração no comércio, agricultura, na área financeira e nas infra-estruturas.

Já o Presidente cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, que acompanhou o seu homólogo português, salientou que gente do Fogo “tem o vulcão na alma” e que esta expressão significa a vontade e determinação de vencer, mesmo perante fenómenos como as erupções vulcânicas.

Manifestou ser um “grande prazer” estar no Fogo com Marcelo Rebelo de Sousa, numa paisagem impar e maravilhosa, e a provar o vinho e a conversar sobre o relacionamento entre os dois países.

“Falamos da parceria especial com União Europeia e do papel de Portugal, a visão desta parceria, da presença da comunidade cabo-verdiana em Portugal e dos cabo-verdianos em São Tomé e Príncipe, da literatura e de influência dos intelectuais portugueses em Cabo Verde”, disse Jorge Carlos Fonseca.

Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhado de Jorge Carlos Fonseca, chegou à ilha do Fogo passado das 11:00 e foi recebido ao ritmo da morna e de brial (uma das vertentes do ritmo das bandeiras), tendo seguido, de imediato, para Chã das Caldeiras, com passagem pela Casa Marisa e adega provisória, onde a delegação que o acompanhou almoçou.

Depois de Chã das Caldeiras e antes do regresso à Cidade da Praia, por volta das 17:00, Marcelo Rebelo de Sousa passou pelo centro histórico da cidade de São Filipe, com paragem das instalações da Casa da Memoria, uma referência histórico-cultural da cidade e da ilha do Fogo.

JR/CP

Inforpress/Fim

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