Presidente da Ucrânia pede desocupação da Crimeia em discurso nas Nações Unidas

Nova Iorque, 23 Set (Inforpress) – O presidente da Ucrânia pediu hoje a desocupação da Crimeia, região anexada pela Rússia, durante um discurso nas Nações Unidas, no qual sublinhou que o seu país está preso numa guerra “congelada” com rebeldes apoiados por Moscovo.

Volodymyr Zelenskiy discursou hoje perante a Assembleia Geral das Nações Unidas e não fez qualquer referência aos Estados Unidos ou às eleições naquele país, apesar do papel “involuntário” da Ucrânia, noticia a agência AP.

O ‘impeachment’, julgamento no Senado realizado este ano contra o presidente dos EUA, foi centrado nas acusações de que Donald Trump pressionou Zelenskiy a investigar as acções do rival democrata, Joe Biden, e do seu filho, na Ucrânia.

Mas Volodymyr Zelenskiy concentrou as suas declarações na Rússia, num discurso previamente gravado, considerando “inaceitável quando a soberania de um país independente é violada por um dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU”.

Tal como muitos líderes, o presidente da Ucrânia manifestou esperança de que os países possam trabalhar juntos na luta contra o novo coronavírus.

E acrescentou que a 75.ª Assembleia Geral “entrará na história como um exemplo do regresso ao multilateralismo efectivo e à solidariedade internacional efectiva”.

Em 21 de Fevereiro de 2014, a “revolta de Maidan” conseguiu impor em Kiev o afastamento do presidente “pró-russo” Viktor Yanukovych e impor um executivo “pró-ocidental”.

Cinco dias depois, em 26 de Fevereiro, milhares de habitantes da Crimeia manifestaram-se em Simferopol em apoio à manutenção do território da Ucrânia, alguns dias após a chegada de homens armados sem insígnia para ocuparem posições estratégias no território, em particular o cerco a bases militares ucranianas e o controlo do aeroporto e parlamento.

Em 16 de Março, as autoridades locais desta península com larga maioria de população russófona – a Crimeia era até 1954 uma província da república soviética da Rússia, até ser anexada à Ucrânia por decerto do Soviete Supremo – organizaram um referendo que por larga maioria (96,8%), aprovou a reunificação com a Federação russa.

Após a anexação, não reconhecida pelas instâncias internacionais, muitos manifestantes do 26 de Fevereiro foram perseguidos judicialmente pelas autoridades russas. Moscovo também acabou por reconhecer que os misteriosos militares sem identificação eram forças especiais russas.

A Rússia está submetida a um regime de sanções ocidentais devido à anexação da Crimeia e ao seu apoio aos separatistas pró-russos no leste ucraniano, onde a guerra provocou mais de 14.000 mortos desde 2014.

Inforpress/Lusa/Fim

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