PR escusa-se a comentar extradição de Alex Saab para os Estados Unidos

Cidade da Praia, 17 out (Inforpress) – O Presidente da República escusou-se hoje a comentar sobre a extradição do venezuelano Alex Saab, detido em Cabo Verde em Junho de 2020, para os Estados Unidos, limitando-se a confirmar que foi informado sobre esta decisão.

Jorge Carlos Fonseca falava aos jornalistas após exercer o seu direito de voto nas eleições presidenciais 2021, às 10:35, no Instituto Universitário de Educação (IUE), no bairro de Achada Santo António, quando foi instado a reagir sobre a extradição do venezuelano Alex Saab para os Estados Unidos.

O Chefe de Estado disse que foi informado sobre o processo, mas que hoje não é dia para tecer qualquer comentário sobre o processo, porque é dia de eleição para a escolha do próximo Presidente da República de Cabo Verde.

“Fui informado, mas não faço nenhum comentário especial sobre isso, hoje é dia das eleições, da nossa democracia e não há razão nenhuma para que, digamos, a solidez, o prestígio a credibilidade da nossa democracia, das nossas instituições democráticas possam ser beliscadas por um ou outro juízo de opinião, qualquer tipo de avaliação sobre uma questão concreta”, declarou.

O Ministério da Justiça assegurou este sábado que a extradição de Alex Saab seguiu os seus trâmites legais, com todas as garantias constitucionais, tendo passado pelo crivo das autoridades judiciárias e do Tribunal Constitucional.

Em comunicado, a mesma fonte explica que numa estreita cooperação com as autoridades dos Estados Unidos, Cabo Verde colaborou no sentido da detenção e submissão do empresário colombiano às autoridades judiciárias cabo-verdianas, visando a sua extradição para aquele país.

Por seu turno, o embaixador dos Estados Unidos da América em Cabo Verde, Jeff Daigle, destacou hoje o “profissionalismo” demonstrado pelo sistema jurídico de Cabo Verde ao longo de um “complexo processo judicial”, envolvendo o venezuelano Alex Saab.

Segundo disse, a transferência foi conduzida em total conformidade com a lei cabo-verdiana e com decisões judiciais, sendo o culminar de um processo judicial muito complexo e moroso, envolvendo vários recursos que chegaram agora ao seu termo.

O empresário e enviado especial colombiano Alex Saab, detido pela Interpol e pelas autoridades cabo-verdianas, em 12 de Junho de 2020, durante uma escala técnica no Aeroporto Internacional Amílcar Cabral, no Sal, foi extraditado este sábado para os Estados Unidos.

Foi detido com base num mandado de captura internacional emitido pelos EUA, numa viagem para o Irão em representação da Venezuela, na qualidade de “enviado especial” e com passaporte diplomático.

A sua detenção colocou Cabo Verde no centro de uma disputa entre o regime do Presidente Nicolás Maduro, da Venezuela, que invoca as suas funções diplomáticas, aquando da detenção, e a Presidência norte-americana, bem como irregularidades no mandado de captura internacional e no processo de detenção.

Washington pedia a sua extradição acusando-o de branquear 350 milhões de dólares (295 milhões de euros) para pagar actos de corrupção do Presidente venezuelano, através do sistema financeiro norte-americano.

CM/JMV
Inforpress/Fim.

Facebook
Twitter
  • Galeria de Fotos