Presidente da República diz que País “não tem mais tempo a perder” no desenvolvimento sustentável dos oceanos

Mindelo, 07 Jun (Inforpress) – O Presidente da República considerou hoje, no Mindelo, que Cabo Verde “não tem mais tempo a perder” no cumprimento dos desafios lançados pela ONU, enquadrados na agenda 2030, por um desenvolvimento sustentável dos oceanos.

José Maria Neves discursava no Auditório Onésimo Silveira, da Universidade do Mindelo (Uni-Mindelo), no quadro de um colóquio sobre os oceanos, iniciativa da Presidência da República, e que decorre durante dois dias sob o lema “A ciência que precisamos para o oceano que queremos”.

O evento insere-se nas actividades alusivas à década 2021 a 2030, que foi declarada pela Organização das Nações Unidas como a década dedicada a esta problemática.

José Maria Neves concretizou, na ocasião, que se os oceanos ocupam “um lugar cimeiro” na agenda global, no caso de Cabo Verde, continuou, um arquipélago de dez ilhas no meio do Atlântico, “para o bem e para o mal”, eles atingem uma “centralidade incontornável”.

“O oceano que nos cerca é uma grande riqueza de Cabo Verde, temos de potenciá-la e colocá-la ao serviço do desenvolvimento durável do nosso País e, nesta linha, devemos mobilizar todos os actores, públicos e privados, organizações internacionais, organizações não governamentais e da sociedade civil”, reforçou o chefe de Estado.

Explicou que um País pequeno e arquipelágico, como Cabo Verde, apresenta “um frágil equilíbrio ambiental e vulnerável aos impactos negativos” das alterações climáticas, daí, admitiu, a protecção e preservação dos seus recursos naturais costeiros e marinhos assumirem “um carácter de urgência”, pois, reside nos oceanos uma das suas principais fontes de recursos, particularmente quando se fala de Economia Azul.

O Presidente da República citou vários documentos estratégicos sobre a Economia Azul, elaborados no País nos últimos anos, demonstrativo, conforme assinalou, do “forte empenho” de Cabo Verde na promoção do desenvolvimento sustentável do seu mar e das zonas costeiras, que minimizam a degradação ambiental, a perda de biodiversidade e a utilização não durável e predatória dos recursos marinhos.

“Cabo Verde tem encetado passos concretos para a implementação de uma Economia Azul, e, acredito, será bem-sucedido”, lançou Neves, que recordou o “resultado espectacular” das campanhas de reflorestação, nos primeiros anos da independência e, agora, continuou, que o foco mudou da terra para o mar, não poderá ser diferente.

Exemplificou com o caso de São Vicente, ilha que detém uma experiência de aquacultura de camarão, que já leva alguns anos, “um exemplo” para provar que estes projectos são “viáveis e necessários”, principalmente quando se torna evidente a diminuição de recursos, nesta área.

Daí esperar, como referiu, que a Zona Económica Especial Marítima de São Vicente consiga “estimular e dinamizar” mais iniciativas do género, o que se enquadra nos seus objectivos, nomeadamente, no concernente ao aproveitamento do mar.

Ao Campus do Mar, assinalou, deverá estar reservado “um papel importante” em todo este processo, especialmente, no que se refere à pesquisa e à inovação.

Aliás, José Maria Neves qualificou a sustentabilidade e o equilíbrio entre o investimento responsável e um oceano sustentável como “empreitada de grande fôlego”, tanto para Cabo Verde como para o mundo em geral.

Na parte final do seu discurso, o Presidente da República ocupou-se demoradamente dos dez desafios da década dos oceanos, que classificou de um teste à consciência global e que instigam a humanidade a escolher o caminho da salvação em vez da destruição do Planeta.

“As metas preconizadas são necessárias, inadiáveis e alcançáveis, mas para serem exitosas, o compromisso de todos será determinante e decisivo (…), os problemas já estão identificados, bem como as medidas necessárias para resolvê-los, chegou a hora de passar das intenções à prática”, concretizou.

“Espero que este colóquio seja um contributo para a causa da retoma da esperança de ver a humanidade a trabalhar e a caminhar para o progresso e para um desenvolvimento sustentável, tendo como base a Economia Azul”, desejou o chefe de Estado.

“Só assim poderemos deixar um Planeta ainda melhor para os nossos filhos, o que já passou não pode ser mudado, mas o futuro pode ser diferente”, finalizou.

O colóquio sobre os oceanos abarca neste primeiro dia um ciclo de quatro conferências temáticas, enquadradas nos dez desafios da Década do Oceano, exposições sobre as boas práticas na preservação da biodiversidade marinha e costeira, workshops sobre técnicas de reutilização do lixo marinho e sessão de filmes relacionados com os oceanos.

O segundo dia será preenchido com uma campanha nacional de limpeza na orla marítima, com incidência nas praias de mar, coordenada em todo País pela Cruz Vermelha de Cabo Verde e pela Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), em São Vicente, entre outros parceiros.

AA/HF

Inforpress/Fim

 

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