PR considera que Revolução Russa foi um “acontecimento marcante” para a humanidade

 

Cidade da Praia, 08 Nov (Inforpress) – O Presidente da República disse hoje que apesar de a Revolução Russa ser considerado um acontecimento de desastre e de fraude a mesma foi marcante do ponto de vista político e da humanidade.

Jorge Carlos Fonseca fez estas declarações aos jornalistas momentos antes de presidir a abertura da conferência sobre a “Revolução Russa, 100 anos depois: sonhos, utopias, que legado? Qual a influência nos movimentos de libertação e no pensamento político dos líderes africanos?”.

“Independentemente da avaliação, dos efeitos e impactos, foi o maior acontecimento político do século XX, e muito relevante do ponto de vista político e social humano” reconheceu, realçando que a ideia é juntar individualidades nacionais e internacionais para um debate sobre a influência, o condicionamento e o impacto que esta revolução teve no continente africano, nos processos independentistas e porque não no processo da independência e da luta da democracia em Cabo Verde.

Para Jorge Carlos Fonseca, a Revolução Russa teve “uma certa influência” na modelação organizativa dos movimentos da libertação africano que acompanhou o processo de libertação da Guiné-Bissau e Cabo Verde, mas também no modelo do regime e do partido único.

“Do ponto de vista ideológico, entendo que o modelo da organização do partido leninismo influenciou o partido que foi poder em Cabo Ver durante alguns anos, e a luta para a democratização do país também foi em parte uma luta contra esse modelo e liberdades associadas a este regime”, precisou.

Para o economista, professor universitário e antigo coordenador do Bloco de Esquerda (BE) de Portugal, Francisco Louçã, que será um dos oradores, a Revolução Russa resultou do colapso de uma ditadura e do efeito da Primeira Guerra Mundial e um acontecimento que marcou o início do século XX.

“Essa revolução teve enormes efeitos na Europa Central mais tarde nos movimentos de libertação em África, América Latina na democratização, no primeiro sufrágio universal em que homens e mulheres poderem votar, nos processos de contradição de guerras civis conflitos internos, e no surgimento da 2º Guerra Mundial”, considerou, sublinhando que são “grandes processos de transformação, de tragédia e marcas deste processo” em que “temos de apreender e conviver”.

“O efeito não foi directo nem imediato a nível dos países africanos, talvez o partido sul-africano comunista terá sido o primeiro partido que resultou do impulso organizador da internacional comunista fundada pelo partido da União Soviética”, lançou indicando que nas décadas seguintes a luta pela independência, gerações que foram formandos e a luta da libertação nacional foram influenciados pela esperança da revolução de Outubro, e mais tarde por outros processo como a revolução cubana ou a própria revolução chinesa”, assegurou.

A conferência, que foi moderada por José Vicente Lopes, teve como oradores os portugueses Clara Ferreira Alves e Francisco Louçã, e Casimiro de Pina e Aquilino Varela, de Cabo Verde.

Para esta quinta-feira, esta prevista a realização da conferência “O papel dos escritores e jornalistas como descodificadores dos grandes momentos e acontecimentos internacionais” que terá como oradora Clara Ferreira Alves.

AV/AA

Inforpress/Fim

 

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