Presidente da Câmara de Comércio de Barlavento vê com bons olhos a criação do fundo soberano

Cidade da Praia, 12 Mar (Inforpress) – O presidente da Câmara de Comércio de Barlavento (CCB), Belarmino Lucas, disse hoje que com o fundo soberano vai se criar as condições que contribuirão para a resolução do problema de financiamento à iniciativa privada.

Belarmino Lucas fez essas declarações enquanto estava a ser ouvido no final da tarde de hoje pela Comissão Especializada de Finanças e Orçamento (CEFO) sobre a proposta de lei do Governo que cria o Fundo Soberano de Garantia do Investimento Privado.

Segundo explicou, o fundo soberano de garantia tem um “determinado objectivo” que é o de permitir a captação de investimentos e financiamentos em termos internacionais máxime, dando as condições que são necessárias para que isto aconteça.

“Há muitos investimentos que necessitam de financiamento, que só conseguiram obter fora do país porque o nosso sistema financeiro interno tem limitações que não nos permitem chegar a determinados tipos de financiamentos, nomeadamente por serem financiamentos de grande vulto. Então o empresário tem, por exemplo, de ir lá fora”, acrescentou.

Entretanto, Belarmino Lucas disse que existe uma percepção do risco do país, Cabo Verde, tendo em conta que a conotação financeira do país é “bastante baixa”, e que, por isso, para que uma empresa nacional consiga financiamento lá fora estará sujeita a “condições de financiamento”, impostas pelas instituições financiadoras, que assim procuram compensar essa percepção do risco.

Por isso, entende o presidente do CCB que o fundo soberano poderá vir a dar um contributo “muito importante”, em termos de melhoria de percepção do risco do país Cabo Verde e, com isso, tornar “mais suaves” as condições em que os empresários cabo-verdianos conseguem obter financiamento fora do país.

“Tudo isto é um ‘puzzle’, essas são peças de um ‘puzzle’ maior. Temos outros instrumentos de financiamento que temos estado a discutir e, em colaboração com o Governo, têm vindo a ser postos à disposição”, acrescentou a mesma fonte desejando desde já, e a partida, que se consiga fazer a gestão do fundo quando e se o mesmo for aprovado para que o mesmo possa ir ao encontro dos seus objectivos.

Refira-se que o Governo pretende extinguir o International Support For Cabo Verde Stabilization Trust Fund, que tem como passivos os chamados Títulos Consolidados de Mobilização Financeira.

Uma vez extinguido o Trust Fund, o dinheiro que está lá, que é contrapartida dos passivos que configuram os TCMF, serão transferidos para o chamado Fundo Soberano de Garantia do Investimento Privado.

Na segunda-feira, sobre o mesmo assunto, a CEFO ouviu o governador do Banco de Cabo Verde (BCV), João Serra, que, por sua vez afirmou que a criação do fundo soberano de garantia irá, num primeiro momento, impactar o aumento da dívida pública, impacto que poderá, segundo argumentou, ser desfeito com a emissão dos chamados Títulos de Rendimento de Mobilização do Capital (TRMC), que são propriedade do fundo soberano.

Outras figuras serão ouvidas nos próximos dias, entre elas o vice-primeiro ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia.

GSF/CP

Inforpress/Fim

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