Presidente da ANMCV diz que graduação a País de Rendimento Médio deixou um vazio na cooperação descentralizada

Cidade da Praia,25 Jan (Inforpress) – O presidente da Associação Nacional dos Municípios afirmou em entrevista à Inforpress que a passagem de Cabo Verde a País de rendimento médio (PRM) não beneficiou os municípios porque ficou “um vazio a nível da cooperação descentralizada”.

Para Manuel de Pina, após 10 anos da graduação de Cabo Verde para o grupo de Países de Rendimento Médio, apesar de ter configurado um aspecto promocional do país, criando mais confiança na economia, atraindo mais investidores, o aspecto negativo é também nítido porque “afugentou os potenciais apoiantes” de Cabo Verde que deixaram de escolher o país como prioritário em matéria de cooperação.

Neste quadro, ajuntou, os mais afectados foram os municípios, porque vários parceiros internacionais “saíram” da cooperação descentralizada.

“Para a AMNMCV e as câmaras municipais isso não foi bom, porque a cooperação descentralizada particamente ficou residual. Ficou apenas a cooperação luxemburguesa. Temos, neste momento, alguma cooperação regionalizada que estamos a fazer no âmbito do Projecto de Desenvolvimento Sustentável com as Nações Unidas e a cooperação luxemburguesa tem-nos apoiado nisso junto com a União Europeia”, concretizou.

Segundo a mesma fonte, parceiros como o Fundo Galego deixaram de apoiar Cabo Verde como apoiavam antes e, mesmo a cooperação com Portugal e Espanha, que financiavam vários projectos com impacto nos municípios, saíram. Os apoios de países individuais como a Holanda e Itália são também quase residuais, referiu.

Entretanto, Manuel de Pina critica também o facto de as oportunidades que Cabo Verde teve após a classificação a PRM “não terem sido muito bem aproveitadas”, concretamente os empréstimos concessionais, “porque o país endividou-se, mas não trouxe o desenvolvimento almejado”.

“As oportunidades que tivemos em termos dos empréstimos concessionais foram todas utilizadas de uma forma não proveitosa para a nossa economia. O país endividou-se com essa oportunidade, com empréstimos altamente vantajosos, em termos de juros, mas os investimentos efectuados não serviram como motor para arrancar com o desenvolvimento sustentável do país”, enfatizou.

Como consequência, adiantou, além de endividado “o país continua altamente dependente, com muita fragilidade”, realçou, indicando, por outro lado, que o país “não pôde ter acesso a muitos financiamentos porque aproveitou tudo e não conseguiu arrancar com a economia para resolver o problema estrutural como o emprego, sobretudo no seio da camada juvenil”, adiantou.

No entanto, o presidente da Associação Nacional dos Municípios de Cabo verde defendeu que Cabo Verde também tem que “saber andar pelos seus próprios pés e não estar constantemente a mendigar ou a pedir”.

“Temos que aproveitar a situação que temos e transformar isso em oportunidades. Apostar no nosso território, no que temos para explorar bem, não cometer erros e caminhar pelos nossos próprios pés para não ficarmos eternamente na dependência”, afirmou adiantado que o país deve-se apresentar na comunidade internacional “de igual para igual”.

CD/FP

Inforpress/Fim

 

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