Presidente da AJOC destaca contributo do PNJ para o incremento do jornalismo de investigação

Cidade da Praia, 26 Abr (Inforpress) – O presidente da Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC) destacou hoje o contributo que o Prémio Nacional de Jornalista (PNJ) tem dado no sentido de incrementar o género jornalismo de investigação ou reportagem.

Carlos Santos fez essa apreciação durante uma conferência de imprensa, na Cidade da Praia, para anunciar os vencedores da sexta edição do Prémio Nacional de Jornalismo (PNJ), tendo sublinhado que a reportagem é um “deficit e um calcanhar de Aquiles” no jornalismo cabo-verdiano.

“Uma das críticas que comummente se houve é que há poucas reportagens em Cabo Verde e, curiosamente, as candidaturas vem demonstrar que o género reportagem está presente na paisagem mediática cabo-verdiana”, enfatizou.

Este ano, na sexta edição, o género reportagem suplantou os restantes géneros jornalísticos previstos no regulamento do PNJ.

Do total de 35 trabalhos avaliados, 32 são reportagem, o que para Carlos Santos demonstra uma opção clara dos jornalistas cabo-verdianos pela reportagem, género por excelência do jornalismo de profundidade.

Questionado se o grande número de reportagem em concurso é o resultado deste prémio, Carlos Santos diz acreditar que este prémio tem sido um estímulo aos jornalistas, que todos os anos tem demostrado interesse em concorrer ao único prémio de jornalismo existente no país.

“Eu não estou a dizer que agora os jornalistas fazem trabalho de reportagem a pensar no prémio, mas o prémio é um estímulo. Este (…) tem estimulado a participação dos jornalistas que vão fazendo os seus trabalhos, e, no início de cada ano, os trabalhos que consideram melhor será submetido a concurso”, disse, salientando que o PNJ tem contribuído para maior produtividade por parte dos jornalistas.

Apesar da perceção de que a política partidária é o que domina campo mediático no jornalismo em Cabo Verde, Carlos Santos regozijou-se com o facto de, nesta edição, as questões sociais terem dominado as reportagens em concurso.

“Olhando para os temas e assuntos abordados pelos candidatos constata-se que as reportagens reflectem as principais preocupações da sociedade cabo-verdiana, com destaque para problemas ligado ao meio ambiente, agricultura, seca e as suas múltiplas consequências”, apontou.

Ainda, no campo social, as reportagens incidiram sobre o desaparecimento das crianças, o fenómeno das crianças de e na rua, bem como, o casamento de adolescentes que se tornam mulheres e donas de casa antes do tempo, o assédio sexual, a violência baseada no género, a toxicodependência, as doenças infantojuvenis e o furto de energia.

Ainda o interesse dos jornalistas que concorrem ao PNJ se estende as áreas de economia, a cultura, e a política.

AM/CP

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