Presidente da ADEVIC coloca em causa o contributo do Governo no sector da educação para pessoas com deficiência

Cidade da Praia, 29 Jul (Inforpress) – O presidente da Associação dos Deficientes Visuais de Cabo Verde (ADEVIC) colocou hoje em causa o apoio que o Governo tem dado no sector educativo para as pessoas com deficiência, tendo em conta o que a Constituição garante.

Marciano Monteiro fez essa afirmação em declaração à Inforpress, quando falava  sobre a educação, os avanços e os desafios que as pessoas com deficiência ainda deparam quando estudam nas escolas pblicas ou privadas, contrariando a garantia do direito à educação a todas as pessoas e o direito de receber essa educação, segundo a Constituição e todas as convenções assinadas por Cabo Verde.

“Se formos ver os pontos práticos do sistema educativo, posso afirmar que ainda as pessoas com deficiência não conseguiram ser integradas num sistema inclusivo e acessível. O governo atribui ensino gratuito para as pessoas com deficiência, mais se formos ver os edifícios escolares ainda não estão preparados para receber pessoas com deficiência, ou seja, não existe acessibilidade”, disse.
Segundo o presidente da ADEVIC, uma simples casa de banho nas escolas não possui espaço para que um cadeirante ou um cego faça manobra para poder ter acessibilidade, isso, sublinhou, sem mencionar as barreiras que iniciam à saída da casa.

Neste âmbito, sublinhou, se a Constituição diz que o Governo deve garantir todas as condições para que as pessoas com deficiência visual circulem nas escolas e nos serviços de saúde, tem um trabalho muito profundo a fazer na questão do acesso.

Um direito, que conforme Marciano Monteiro, deveria ser cumprido, já todos os anos é tema de debate e promessas que nunca se cumprem, apesar de alguns avanços, reconhece.

“A vontade existe, mas só vontade já não satisfaz as pessoas com deficiência. Todo esse quer fazer, deve ser posto na prática, pois, esta luta já vem de muitos anos e sempre batemos na mesma tecla”, acrescentou.

Para Marciano Monteiro é preciso recursos necessários para proporcionar aos deficientes físicos, visual e portadores de necessidades especiais, acessibilidade, autonomia e inclusão, tanto na sociedade quanto na escola.

Para alunos com deficiência visual, salientou, deveria existir material adaptado em Braille, com deficiência auditiva, seria necessário maior conhecimento por parte dos professores e ainda a presença de docentes auxiliares, além das diversas situações que se apresentariam em que exigiriam a presença em período integral ao lado do aluno como no caso de certos níveis de paralisia cerebral, ou de alunos com Dislexia ou Discalculia.

PC/JMV

Inforpress/Fim

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