Presidente CNEST reconhece que Cabo Verde carece de um sistema nacional de estatísticas agrícolas adequado

Cidade da Praia, 18 Nov (Inforpress) – O presidente do Conselho Nacional de Estatística (CNEST), Carlos Mendes, reconheceu hoje que Cabo Verde carece ainda de um sistema nacional de estatísticas agrícolas adequado para recolher, armazenar e divulgar estatísticas alimentares e agrícolas.

Aquele responsável falava na abertura da jornada sob o lema «Reforçar o ecossistema de dados, modernizando a produção e a utilização das estatísticas agrícolas: informando políticas com vista a melhorar a resiliência da agricultura, da nutrição e da segurança alimentar em África», promovida pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), na Cidade da Praia, para comemorar o Dia Africano de Estatística, que hoje se assinala.

Carlos Mendes sublinhou que, apesar da importância óbvia da agricultura e da economia rural e do seu desenvolvimento, muitos países africanos, particularmente Cabo Verde, ainda não dispõem de um sistema nacional de estatísticas agrícolas adequado.

Além disso, acrescentou, regista-se uma necessidade de reforço de competências para uma informação conveniente das informações disponíveis em prol de estudos analíticos aprofundados, a fim de satisfazer a crescente demanda de utilizadores de dados ao nível nacional e internacional.

“Para alcançar os resultados esperados, os decisores precisam de dados e informações confiáveis e, de uma forma geral, informações de qualidade para analisar as restrições, identificar os indicadores de referência, definir objectivos quantificáveis, monitorar a implementação e medir o impacto de políticas e programas”, sustentou.

Neste contexto, sublinhou, há a necessidade de reforço do ecossistema de dados e informações e a modernização e divulgação dos métodos de produção e estimação de estatísticas agrícolas, que considera fundamentais.

Da parte do CNEST, indicou que irá assumir uma atitude pró-activa e de proximidade na mobilização de parcerias técnicas e financeiras junto de diferentes instituições para continuar a reforçar as competências do sistema estatístico nacional, particularmente o Ministério de Agricultura, como um órgão delegado do INE, reforçar o ecossistema de dados modernizando a produção e utilização das estatísticas oficiais.

Carlos Mendes frisou que em Cabo Verde os dados sobre a agricultura são recolhidos essencialmente para atender as necessidades de desenvolvimento relacionadas ao uso da terra e produção agrícola no contexto da segurança alimentar.

Ao presidir a cerimónia de abertura da jornada, o secretário de Estado das Finanças, Alcindo Mota, sublinhou a “necessidade imperiosa” de promover o desenvolvimento de estatísticas agrícolas mais detalhadas em Cabo Verde.

“Saber, no fundo, de que recursos naturais dispõe o país, de que forma são utilizados, de quem e por quantos, com que estrutura se produz, com que custos e a que preço, o que se consome, o que se importa, e/ou exporta e muitas outras informações estatísticas têm de fazer parte da cultura geral de todos e ser objecto de análise e estudos apurados. Diria que é imperativo que respondamos essas indagações”, recomendou.

O governante augurou que dessa jornada saiam pistas para fortalecer e acelerar a modernização na produção e utilização de estatísticas agrícolas.

O encontro foi promovido pelo INE em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e contou com a presença do director do Departamento de Estatística da OIT, Rafael Diez de Medina.

O lema deste ano para assinar o Dia Africano de Estatística «Reforçar o ecossistema de dados, modernizando a produção e a utilização das estatísticas agrícolas: informando políticas com vista a melhorar a resiliência da agricultura, da nutrição e da segurança alimentar em África” foi escolhido pela Comissão Económica das Nações Unidas e foi consensualizado devido ao contexto em que o mundo e, particularmente, a África vive, impactado pelas crises e na eminência do seu  agravamento devido às incertezas provocadas pelas guerras.

Um problema estrutural para a África com forte impacto na fome, na paz e no bem-estar social, e por isso, se centralizou na modernização da produção de estatísticas agrícolas e na sua utilização, estatísticas essas necessárias para a implementação de políticas que possam minimizar os efeitos dessa crise.

MJB/CP

Inforpress/fim

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