Presidenciais´2021: Gilson Alves promete “rasgar” acordo de pesca com União Europeia

Mindelo, 05 Out (Inforpress) – O candidato presidencial Gilson Alves garantiu que vai “rasgar” o acordo de pesca com a União Europeia, que tem feito o peixe se tornar em “algo raro” em Cabo Verde e sem rendimentos para os pescadores.

Mencionando o seu “amor” de infância pelo mar, Gilson Alves, que nasceu no Porto Novo, Santo Antão, uma localidade piscatória, relembrou que antigamente até as crianças conseguiam pescar uma “grande quantidade” de peixe com “apenas alguns metros de linha” e “a ideia de fome não existia nas suas cabeças”.

Mas, hoje, ajuntou, o que se ouve dos pescadores cabo-verdianos é que “não existem peixes no mar” e este se tornou “algo raro, uma sorte”.

“E o Governo achou por bem fazer um acordo de pesca, que nos dá 150 mil euros por ano para virem fazer o que bem entender, teoricamente existem cotas, mas quem está a fiscalizar as cotas?” questionou, adiantando que tal situação já foi denunciada por “especialistas” da associação Biosfera.

Gilson Alves reiterou ainda que os barcos da União Europeia estão a pescar os tubarões ao “desbarato”, quando “se não existir tubarões não há cardumes, se não há cardumes não há pesca e se não houver pesca não há comunidades de pescadores”.

“E num lugar onde não há emprego e não há esperança, um pescador vira-se para o mar e não tem pão. Onde é que vamos chegar neste País? Voltemos para a nossa terra e vivamos de fora para dentro”, advertiu o candidato presencial, que pede para que os governantes vejam a auto-sustentabilidade do País, para não tornar os cabo-verdianos “escravos de hotéis no Sal e na Boa Vista”.

Por isso, Gilson Alves assegurou que, caso vença, vai “rasgar” o acordo de pesca com a União Europeia (UE) no “primeiro segundo”.

“Pedia uma fotocópia do documento, chamava todas as pessoas, dava um grande espectáculo e depois rasgava-o e até queimava-o se calhar”, prometeu a mesma fonte, para quem a União Europeia “não tem direito de impor nada a Cabo Verde”.

A seu ver, poderia ser proposto “grandes parcerias” com a UE para “beneficiar a todos”, por exemplo, de construir uma frota pesqueira a um “bom preço”.

“Mas, nós não vamos dar-vos o nosso mar, para depois ficarmos com pedra, deserto, fome e miséria”, advogou, acrescentando que deve ser adoptada ainda uma “política radical” para combate à pesca ilegal nas águas cabo-verdianas.

Nesta quarta-feira Gilson Alves viaja para São Nicolau.

Às presidenciais do dia 17 de Outubro, nos dois círculos eleitorais, nacional e estrangeiro, concorrem sete candidatos: Fernando Delgado, Gilson Alves, José Maria Neves, Carlos Veiga, Hélio Sanches, Casimiro de Pina e Joaquim Monteiro.

As últimas eleições presidenciais em Cabo Verde ocorreram no dia 02 de Outubro de 2016, com três candidatos (Albertino Graça, Jorge Carlos Fonseca e Joaquim Monteiro). Venceu Jorge Carlos Fonseca na primeira volta para um segundo mandato, com 74% dos votos.

LN/CP

Inforpress/Fim

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