Presidência da CEDEAO seria muito importante para o país do ponto de vista político-diplomático – antigo PM

 

Cidade da Praia, 18 Dez (Inforpress) – O ex-primeiro-ministro José Maria Neves lamenta o facto de Cabo Verde não ter conseguido a presidência da CEDEAO, que segundo ele, seria “muito importante” para o país, do ponto de vista político-diplomático e da inserção competitiva na região oeste-africana.

“Cabo Verde só tem importância estratégica se estiver competitivamente inserido na CEDEAO (Comunidade Económica dos Estado da África Ocidental). Mas temos de fazer o nosso trabalho de casa e fazê-lo bem”, escreveu o antigo chefe do Governo na sua conta pessoal do Facebook.

Reconhece que os diplomatas cabo-verdianos têm feito um “bom trabalho no domínio das relações externas”, pelo que “merecem todos os encómios”.

No seu post, o político que governou o país durante 15 anos consecutivos disse “estranhar” que as questões das dívidas de Cabo Verde em relação à CEDEAO tivessem sido trazidas para o debate público no país.

“Todos devem e muitos devem muitíssimo mais. E esse facto nunca os impediu de assumir a Presidência”, afirmou Neves, que também não entendeu o “lançamento de várias candidaturas internas, ainda antes da confirmação de que Cabo Verde teria chances de ganhar”.

Lembrou que a nível da presidência da Comissão da CEDEAO existe a regra de rotatividade por ordem alfabética, uma “proposta de Cabo Verde”.

Segundo ele, já tinha havido precedentes de “não cumprimento rigoroso” desse entendimento.

“Quando Benin devia indicar o presidente da Comissão, jogos de bastidores levaram à escolha de Burkina Faso”, acentuou o ex-chefe do Governo.

Neves admite que, nos últimos anos, houve “grandes avanços institucionais e no processo de democratização da CEDEAO”.

“Antes, por exemplo, só havia sete Comissários, divididos entre os grandes. Na altura, em nome de Cabo Verde, propus que passasse para 15, de modo a que todos pudessem estar representados”, enfatizou José Maria Neves no seu post, recordando que é por isso que o cabo-verdiano Isaías Barreto, “escolhido via concurso”, é hoje comissário para as Tecnologias Informacionais.

“Também conseguimos, sob proposta nossa, realizar, em Cabo Verde, ilha do Sal, a Cimeira CEDEAO-Brasil, e com um forte protagonismo do Governo, a Cimeira CEDEAO-Espanha, em Abuja”,  asseverou , salientando que o Governo de então  conseguiu trazer para Cabo Verde, mediante “difíceis negociações”, conduzidas pelo seu ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, José Brito, as sedes do Instituto da África Ocidental (IAO), e da Agência Regional para as Energias Renováveis e Eficiência Energética.

Cabo Verde perdeu para a Costa do Marfim a presidência da comissão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental durante a cimeira de chefes de Estado da organização, que decorreu sábado, 16, em Abuja, Nigéria, num processo já repudiado por Cabo Verde.

“Fizemos saber que conceder a presidência à Costa do Marfim iria contra as disposições estatutárias da CEDEAO e representaria uma machadada do ponto de vista da aprovação das regras de direito na nossa organização, mas que nos manteríamos enquanto membros a batalhar e a lutar para que houvesse sempre a primazia do direito e das regras estatutárias contra arranjos políticos”, disse, em entrevista à Televisão de Cabo Verde (TCV), o Presidente da República cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca.

LC/ZS

Inforpress/Fim

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