“Precisamos de políticas humanizadoras que não se glorificam pelos números de pessoas que têm no emprego” – Plataforma das ONG

Cidade da Praia, 20 Set (Inforpress) – A secretária executiva da Plataforma das ONG, Dirce Varela, disse hoje que o país precisa de políticas humanizadoras “que não se glorificam” pelos números de pessoas que têm no emprego, mas sim que garantem oportunidades iguais.

“Temos que comprometer aqueles que dizem que fazem e que não fazem”, argumentou, salientando que Cabo Verde tem que ser um país de responsabilização.

Dirce Varela fez essas afirmações no encerramento do fórum sobre o tema “A empregabilidade das pessoas com deficiência visual: que perspectiva futura no mercado de trabalho”, organizado pela Associação dos Deficientes Visuais de Cabo Verde (ADEVIC).

A questão da empregabilidade, conforme realçou, não é uma luta “só de pessoas com deficiência, mas sim de todos” em prol de uma sociedade “mais justa e igualitária”.

“Enquanto sociedade civil, nós temos um papel fundamental de monitorizar a implementação das políticas públicas. É verdade que Cabo Verde tem sido um país muito interessante a nível da ratificação das convenções, mas ainda precisamos de uma assunção clara”, admitiu.

A mesma fonte sublinhou que é preciso assumir que o país ainda tem “políticas irresponsáveis e insensíveis”, que, segundo ela, ao invés de “ter no centro o conceito de igualdade, tem o de normal”.

“É importante que o país assuma o que está escrito na Constituição, adoptando o papel de um Estado que coloque as pessoas à frente das políticas”, idealizou.

Dirce Varela afirmou, também, que “nenhum país do mundo é cidadão”, se um indivíduo não consegue ir para escola devido a falta de condições de acessibilidade.

Por sua vez, o presidente da ADEVIC, Marciano Monteiro, assegurou que a empregabilidade das pessoas com deficiência visual em Cabo Verde é “precária”, justificando que é com base nisso que resolveram organizar o fórum.

“É preciso o engajamento de todos, principalmente do Governo, que sabemos que tem no seu plano de políticas públicas para a área da deficiência a questão do emprego, mas também é necessário o engajamento do sector privado”, legitimou.

Conforme analisou Marciano Monteiro, o executivo adoptou algumas medidas, nomeadamente o acesso ao ensino gratuito, mas, de acordo com ele, “ainda há desafios”, uma vez que falta garantir a acessibilidade das pessoas com necessidades especiais às estas infra-estruturas.

“A acessibilidade é o motor de tudo porque começa desde a saída da casa até se chegar às escolas ou então, até ao local do trabalho”, demonstrou.

WM/LC//CP

Inforpress/Fim

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