Praia: Manifestação contra feminicídio e violência de género com “fraca adesão”

Cidade da Praia, 06 Nov (Inforpress) – Pouco mais de uma dezena de pessoas ostentando cartazes e dísticos de apelo a “basta” e “por mim, por nós e pelos outros” marcou a manifestação realizada, esta tarde, na Praia, contra o feminicídio e violência de género.

A manifestação, convocada por um grupo de Activistas Sociais contra qualquer tipo de violência e que deveria se posicionar à frente da Assembleia Nacional, ficou na rotunda de Achada Santo António em frente ao restaurante Poeta, interrompendo o trânsito, pois segundo a polícia, que se encontrava no local, as participantes não poderiam aproximar mais de 100 metros do local previsto para o manifesto.

Em declarações à imprensa, uma das promotoras do evento, Pauleth Leite, considerou a “fraca adesão” do público com o facto da mensagem não ter chegado a todos, apesar de reconhecer que a informação foi passada, durante uma semana, nas redes sociais, rádio e televisão.

Questionada se a ideia era exigir uma efectiva aplicação da lei VBG o porquê da manifestação não ter parado à frente do tribunal, Pauleth Leite, explicou que a ideia inicial era ir ao tribunal, mas por solicitação de alguns ficou a decisão de ser à frente da Assembleia Nacional, por ser esta um órgão onde se aprova a lei.

“A manifestação não contou com a presença de nenhuma representação organizativa, mas sim representantes da sociedade civil que entenderam apelar às autoridades competentes a dar combate às violências contra mulheres e que vem somando mais vítimas da VBG no país”, disse Pauleth Leite.

Como mulher e cidadã disse esperar que a lei da Violência Baseada no Género (VBG) seja efectivada e aplicada para um resultado menos violento das mulheres e meninas deste país, que ao longo da história foram submetidas a um sistema patriarcal, tendo sofrido violências de várias ordens, pelo que considera ser o momento de dizer um “Basta”.

Segundo um relatório, o Ministério Público recebeu uma média de mais de cinco queixas diárias por VBG no último ano judicial e estão pendentes quase 2.500 processos, crimes que afectam, sobretudo, as mulheres.

Ainda segundo o relatório do Ministério Público, no último ano judicial (01 de Outubro de 2019 a 31 de Julho de 2020) deram entrada 1.872 queixas por VBG – uma média diária de 5,1 casos para um ano -, ainda assim uma quebra de 2,8% face ao ano anterior, tendo sido resolvidos, com despacho de encerramento de instrução para arquivamento ou julgamento, um total de 2.366 processos.

PC/CP

Inforpress/Fim

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