Praia/Carnaval: Grupos Estrela da Marinha e Inter Vila não vão desfilar este ano por falta de verba

Cidade da Praia, 07 Fev (Inforpress) – Os grupos carnavalescos Estrela da Marinha, do bairro de Terra Branca e Inter Vila, de Vila Nova, anunciaram hoje na Cidade da Praia, que este ano não vão participar do desfile oficial de Carnaval devido a dificuldades financeiras.

Em declarações à Inforpress, António Dias, presidente do Estrela da Marinha, informou que elaboraram um orçamento de 1500 contos para a festa do Rei Momo na Cidade da Praia, mas infelizmente a Câmara Municipal da Praia só vai disponibilizar apenas 500 contos.

Conforme realçou, no ano passado a edilidade prometeu uma quantia de 700 contos, mas acabou por distribuir 600 contos, devido aos investimentos feitos na Avenida Cidade de Lisboa, com a colocação das bancadas.

Para este ano, ajuntou, a edilidade anunciou que vão distribuir 500 contos, e que o valor pode chegar aos 700 contos, dependendo da prestação de contas de cada grupo.

“Nós não queremos fazer a mesma figura do ano passado em que ficamos muito aquém da nossa expectativa, de maneira que, perante esta situação, preferimos não desfilar este ano para não correr o risco de ficar a dever os nossos credores”, justificou.

Para António Dias, os grupos e a autarquia devem “repensar” o Carnaval na Cidade da Praia, no quesito financiamento, uma vez que estes não conseguem obter qualquer outro tipo de financiamento por parte de empresas ou por parte do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas.

O mesmo é de opinião que, se os grupos carnavalescos da Praia não forem apoiados nos mesmos montantes que os de São Vicente, pelo menos que recebam uma verba que seja superior a 700 contos.

Com os mesmos argumentos, o presidente do grupo Inter Vila, José Fernandes justificou a retirada do grupo do desfile deste ano, tendo sublinhando que o constrangimento envolve a postura da autarquia e a falta de verba.

Conforme disse, a edilidade prometeu 700 contos, mas no contrato apresentado, os grupos vão receber apenas 500 contos, um valor que a seu ver é “insuficiente para se fazer um Carnaval com dignidade”.

Em termos de exemplo dos demais constrangimentos, revelou que até o presente o grupo não conseguiu montar um estaleiro, não tem garantias de um atrelado de apoio para os andores, não tem onde realizar os ensaios, porque o local que habitualmente utilizam para o efeito, o polivalente de Vila Nova, está sem iluminação.

José Fernandes, que neste momento também exerce funções de presidente da Liga de Carnaval da Praia, criada em 2018, informou que enviaram um projecto solicitando financiamento ao Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, mas até este momento não receberam nenhuma resposta.

Conforme explicou, em São Vicente, só para o som o Ministério da Cultura disponibilizou três mil contos.

“Em parte, até compreendemos que deva haver discriminação positiva sim, mas não desta forma. Até agora a Liga do Carnaval da Praia não obteve nenhuma resposta do Ministério da Cultura sobre o pedido de financiamento que enviou…” enfatizou.

Em jeito de conclusão nesta entrevista à Inforpress, os grupos pedem que seja dado também mais atenção e mais verba ao Carnaval da Praia, para que possam promover um “desfile com qualidade e dignidade”.

AM/FP

Inforpress/Fim

 

 

 

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