PR de Cabo Verde realiza em sete meses 28 visitas nacionais e cinco ao exterior

Cidade da Praia, 09 Jun (Inforpress – O Presidente cabo-verdiano realizou em sete meses pelo menos 33 deslocações, sendo 28 nacionais e cinco ao exterior, contas feitas após troca de acusações públicas entre a Presidência e o Governo por cortes orçamentais à Presidência da República.

Conforme dados compilados pela agência Lusa, com base nas notas de imprensa da Presidência da República, desde a tomada de posse, em 09 de Novembro de 2021, como o quinto Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves já visitou todas as ilhas do arquipélago, excepto Maio e Brava.

No início do mês de Junho, o Presidente anunciou, contudo, a sua ausência na cimeira de chefes de Estado e de Governo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que se realizou em 04 de Junho em Acra, no Gana, alegando razões logísticas e orçamentais.

Antigo primeiro-ministro pelo Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, actualmente oposição) de 2001 a 2016, Neves foi eleito em Outubro de 2021 Presidente da República e tomou posse no mês seguinte, tendo realizado desde então pelo menos 33 viagens, sendo 28 entre as ilhas e cinco ao exterior.

Entre as ilhas, a mais visitada foi São Vicente, em cinco ocasiões diferentes, seguida do Fogo, que recebeu o chefe de Estado por quatro vezes, enquanto o Sal contou com duas, e Santo Antão, Boa Vista e São Nicolau com uma visita cada.

Em Santiago, destaque para cinco visitas ao município do Tarrafal, enquanto Santa Catarina teve duas, nestes que foram os primeiros a receberem a visita oficial do chefe de Estado, dois dias após tomar posse, na altura para se inteirar do processo de vacinação contra a covid-19.

Ainda em Santiago Norte, José Maria Neves já esteve em São Salvador do Mundo, São Miguel e Santa Cruz, faltando apenas visitar o concelho de São Lourenço dos Órgãos para fazer o pleno em todos os seis municípios que compõem a região.

Em Santiago Sul, que engloba ainda a Praia, o Presidente da República já foi duas vezes cada a São Domingos e Ribeira Grande (Cidade Velha), conforme os mesmos dados oficiais.

A nível internacional, o mais alto magistrado da Nação cabo-verdiana já foi a quatro países, todos africanos, tendo o primeiro sido a Nigéria (Abuja), em 12 de Novembro, para participar na 60.ª Sessão Ordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO.

A primeira visita de Estado de José Maria Neves a um país terceiro foi a Angola, entre 09 e 12 de Janeiro, a convite do homólogo angolano, João Lourenço, que foi um dos chefes de Estado presentes na tomada de posse do Presidente cabo-verdiano, em novembro.

Outra deslocação ao exterior aconteceu entre 05 e 06 de Fevereiro, para participar na 35.ª Sessão Ordinária da Conferência da União Africana, em Adis Abeba, na Etiópia, onde discursou na abertura como um dos chefes de Estado recém-eleitos e, por conseguinte, estreantes na Conferência da União Africana.

A quarta ida ao exterior aconteceu em 16 de Maio, desta vez ao Senegal, onde manteve um encontro com o seu homólogo, Macky Sall, e reuniu-se com a comunidade cabo-verdiana radicada naquele país, entre outros pontos na agenda.

A última visita ao estrangeiro aconteceu entre 27 e 28 de Maio, a Malabo, Guiné Equatorial, para participar em duas cimeiras da União Africana.

Após o anúncio de cortes orçamentais, assistiu-se a uma troca de acusações entre a Presidência e o Governo de Cabo Verde sobre o orçamento para viagens do Presidente da República.

Na última nota, a Presidência da República cabo-verdiana pediu “serenidade e contenção” na “discussão em praça pública de questões do Estado”, como “é o caso de deslocações” do chefe de Estado, reafirmando que sofreu cortes orçamentais.

Questionado pelos jornalistas em 03 de Junho, José Maria Neves disse que estava a ser reprogramado todo o trabalho e deslocações ao nível das ilhas e internacionais, devido às “fortes restrições” orçamentais da Presidência da República.

O Governo cabo-verdiano afirmou na noite de segunda-feira, em comunicado, que o orçamento de funcionamento da Presidência da República, para despesas correntes, aumentou 90 mil euros em 2022, apesar da crise económica provocada pela pandemia de covid-19, depois de o chefe de Estado se ter queixado de cortes.

Em comunicado, o executivo liderado desde 2016 por Ulisses Correia e Silva, do Movimento para a Democracia (MpD), explicou que este aumento é “justificado pelo reforço das verbas para deslocações e estadas” da Presidência da República, cujo orçamento passou de 5.644.900 escudos (51.100 euros) em 2021, com Jorge Carlos Fonseca como Presidente, para 15.644.900 escudos (141,8 mil euros) este ano, já com José Maria Neves.

No mesmo comunicado, o executivo de Ulisses Correia e Silva – sem nunca se referir directamente às declarações de José Maria Neves – recorda que em 2020 e 2021, tendo em conta as consequências da pandemia covid-19, “traduzida numa forte recessão económica” e numa “brutal” perda de receitas públicas, “na ordem dos 20 milhões de contos [20 mil milhões de escudos, 181 milhões de euros] por ano”, o Estado, “sob a proposta do Governo, foi obrigado a um esforço de contenção orçamental” total de quatro mil milhões de escudos (36,2 milhões de euros).

Inforpress/Lusa

Fim

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