Portugal: Vice-presidente da AEAB aponta como um dos desafios ter que lidar com as adversidades que surgem (c/áudio)

Lisboa, 01 Dez (Inforpress) – A vice-presidente da Associação dos Estudantes Africanos em Bragança (AEAB), Yarin Monteiro, considerou que um dos maiores desafios enfrentados pelos alunos cabo-verdianos nessa cidade portuguesa, é ter que lidar com as adversidades que surgem pelo caminho.

À Inforpres, a cabo-verdiana Yarin Monteiro que chegou à Bragança em 2015 para fazer licenciatura em Energias Renováveis e está a terminar o mestrado em Energias Renováveis e Eficiência Energética no Instituto Politécnico de Bragança (IPB), contou que a sua integração foi “completamente diferente” dos alunos que estão a chegar agora.

Segundo ela, desde 2015 para cá, o IPB começou a aumentar o número de alunos nacionais de outras cidades e internacionais, nomeadamente africanos, com os cabo-verdianos em maior número, por isso, a adversidade que os mesmos têm em encontrar um alojamento, tanto por causa do preço que aumentou, como da oferta que é alta.

“O maior desafio é saber lidar com as adversidades que vão encontrando pelo caminho, porque chegam cá e não têm nenhum apoio familiar, ao contrário de Lisboa, e podem sentir-se um bocadinho desmotivados por causa disso, com muitos deles a não conseguirem fazer o primeiro ano do curso, pelo facto de chegarem atrasados”, frisou.

De acordo com Yarin Monteiro, quando chegou em Bragança integrou logo a AEAB, uma associação que dentro das suas competências, tenta ajudar os estudantes africanos na sua integração, mas lembrou que há coisas que dependem deles, como “dar prioridade aos estudos, em vez de trabalhar”.

“A associação focava-se em pontos específicos, como a equipa do futebol, a recepção dos calouros e no final do ano lectivo fazíamos a Semana de África, mas de há quatro anos para cá, com mais estudantes africanos, tivemos que evoluir em termos de actividades e parcerias”, explicou, enaltecendo que a Embaixada de Cabo Verde em Portugal está “sempre em contacto”, porque a maioria dos estudantes africanos é cabo-verdiana.

Yarin Monteiro lamentou o facto de os últimos acontecimentos, como a pandemia da covid-19 e a guerra na Ucrânia, que trouxe a inflação, que tem dificultado “a vida dos estudantes” cabo-verdianos e africanos, em geral, com abandono dos estudos para irem trabalhar e acabam por não regressar.

“Outros procuram uma vaga para terem uma oportunidade de sair de Cabo Verde. Quando chegam ao IPB, matriculam-se e fazem tudo o que tem que ser feito para conseguirem ir ao SEF [Serviço de Estrangeiros e Fronteira], mas depois de terem título de residência, não voltam mais”, frisou.

Este não é o caso de Saula Lima, natural de São Vicente, que chegou à Bragança há um mês (29 de Outubro), para fazer mestrado em Empreendedorismo e Inovação, porque o seu objectivo é abrir o seu próprio negócio, uma ideia que surgiu depois de ter terminado, em Cabo Verde, uma licenciatura em Design, há cinco anos.

“Como trabalhava numa loja de decoração de interiores, algo que sempre gostei, pensei em continuar os estudos para saber como gerir um negócio nesta área que eu gosto”, esclareceu, indicando que não tem tido “grandes dificuldades de integração”, porque a irmã já tinha vindo há alguns anos, que a recebeu.

“Espero que tudo corra bem, apesar de ter chegado depois de mais de um mês das aulas terem começado, não está a ser muito difícil, mas o ensino é muito diferente de Cabo Verde. A ideia é terminar o mestrado de dois anos e voltar para São Vicente”, revelou.

Entretanto, Saula Lima confessou que depois de terminar quer ficar mais uns anos a trabalhar para ganhar mais experiência, mas também para conseguir ter a nacionalidade portuguesa, o que irá possibilitar, quando tiver o seu negócio, conseguir viajar e contactar os fornecedores, porque “conseguir visto em Cabo Verde para Portugal, é muito difícil”.

“Vim por conta própria e por isso tento encontrar um trabalho para ajudar com as despesas, algo que fica complicado sem ter ainda o título de residência”, lamentou.

O IPB acolhe cerca de 10.500 estudantes, 35 por cento (%) dos quais são internacionais, representando quase 70 nacionalidades, sendo uma comunidade de mais de 2.000 alunos do continente africano, provenientes de vários países, essencialmente dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), incluindo mais de mil cabo-verdianos de todas as ilhas.

DR/ZS

Inforpress/Fim

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