Portugal: Ministro da Cultura pede um “djunta-mó” para valorizar o espólio de Cesária Évora (c/áudio)

Lisboa, 23 Out (Inforpress) – O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas considera que é preciso um “djunta-mó” (juntar as mãos) entre o Estado, os representantes e os familiares da Cesária Évora para se poder valorizar o seu espólio.

Abraão Vicente fez essa consideração em declarações à Inforpress, em Lisboa, na noite deste sábado, 22, na ante-estreia do documentário “Cesária Évora”, da portuguesa Ana Sofia Fonseca, que teve lugar no Culturgest – Auditório Emílio Rui Vilar, com “casa cheia”.

“É importante perceber que os familiares, os herdeiros da Cesária, têm também de ter essa abertura de perceber que o espólio da Cesária, bem organizado em museu e em merchandising, é uma continuação da Cesária a contribuir economicamente para os seus familiares e os seus herdeiros. É importante que haja um djunta-mó, porque a responsabilidade nunca será apenas do Estado”, disse.

Para o governante, “nunca é suficiente” o que tem sido feito para honrar a memória da Cesária Évora, sublinhando que é preciso haver uma Fundação Cesária Évora e que os seus representantes façam também mais, ou seja, que “todos” façam mais.

“Cabo Verde, enquanto tiver o nível do investimento que tem na cultura, que é abaixo dos 1%, eu continuo a repetir isso, não como apenas uma crítica ao Governo, mas uma constatação, de que é preciso colocar ainda mais verba ao serviço do Governo para construirmos o Museu Cesária Évora e para valorizarmos o seu espólio”, frisou.

Em relação ao documentário, Abraão Vicente é de opinião que é mais uma página para se descobrir melhor Cesária Évora, através de um trabalho investigativo e um trabalho documentário, mas acredita sempre que é “apenas um trabalho e uma faceta que irá ser revelada”.

Para o ministro, “dificilmente” haverá um trabalho definitivo sobre Cesária Évora, por isso, acredita que é importante haver documentação e haver registo das memórias daquilo que a Cesária e os grandes artistas representam.

“A Cesária Évora, como figura maior da música e da cultura cabo-verdiana, merece todas as homenagens, mas este muito mais do que uma homenagem, é a consolidação de um percurso, através de um material cinematográfico super importante para divulgar para as próximas gerações a importância da Cesária Évora”, indicou.

O presidente da Assembleia Nacional, Austelino Correia, o embaixador de Cabo Verde em Portugal, Eurico Correia Monteiro, o produtor e amigo Djô da Silva, familiares, vários artistas, entre outros, assistiram a ante-estreia do documentário Cesária Évora.

O documentário “Cesária Évora” já venceu o Prémio Público no Festival Indie Lisboa, em Maio, também foi selecção oficial no Festival SXSW, em Austin, nos Estados Unidos, e menção especial no Festival da Cracóvia.

A longa-metragem “Cesária Évora”, realizada entre Portugal, França e Cabo Verde, é dedicada à artista cabo-verdiana que se tornou num dos maiores nomes da world music, falecida há 10 anos.

A produção da Carrossel Produções, feita em parceria com a produtora Até o Fim Do Mundo, conta com edição de imagem de Cláudia Rita Oliveira e direção de fotografia de Vasco Viana, sendo que a distribuição mundial de “Cesária Évora” vai estar a cargo da Cinephil/WestEnd Films.

O documentário “Cesária Évora”, artista cabo-verdiana que morreu a 17 de Dezembro de 2011, chega aos cinemas portugueses no dia 27 de Outubro.

DR/JMV
Inforpress/Fim

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