Portugal: Jacira da Conceição leva performance-deriva “Insularidade” às ruas de Lisboa (c/áudio)

Lisboa, 25 Set (Inforpress) – A ceramista cabo-verdiana Jacira da Conceição levou a performance-deriva “Insularidade” às ruas de Lisboa, com partida da rotunda de Marquês de Pombal até o Terreiro do Paço e sob os olhares curiosos com quem ela cruzava.

A performance aconteceu no final da tarde de domingo, 24, numa parceria entre a Boca Associação Cultural, uma organização sem fins lucrativos, fundada em 2015, com sede na cidade de Lisboa, e o Futurama – Ecossistema Cultural e Artístico do Baixo Alentejo.

A performance de mais de uma hora e sempre em piso plano, no seu itinerário, a ceramista e escultora natural do Tarrafal de Santiago, com um pote de cerâmica à cabeça, começou na Praça Marquês de Pombal, passou pela Avenida da Liberdade, chegou aos Restauradores, continuou pelo Rossio, ao Arco da Rua Augusta, até chegar ao Terreiro do Paço (Praça do Comércio) e Cais de Duas Colunas, no Rio Tejo.

Toda a caminhada foi feita sob os olhares curiosos de quem se cruzava com Jacira da Conceição, tendo a oportunidade de também experimentar como era carregar um pote de cerca de 15 quilos à cabeça, um utensílio que é usado para armazenar água em Cabo Verde.

“Estamos a trazer um bocadinho daquele lugar que dizemos invisível, porque há muitos lugares que deviam ser de destaque, mas não é e devia ser visto, mas não é. Neste momento, eu como mulher cabo-verdiana trago essa performance para partilhar e ver se temos algo em comum”, explicou Jacira da Conceição, à Inforpress.

Pessoas que passavam nas ruas, naturais de Cabo Verde, Portugal, Argélia, Brasil, França, Guiné-Bissau, Estados Unidos da América (EUA) puderam carregar o pote e perguntarem para que servia o utensílio, com excepção dos cabo-verdianos que mostraram orgulho em ver a performance pelas ruas mais visitadas de Lisboa.

Por sua vez, o director da Boca, John Romão, explicou que o projecto surgiu através de uma residência artística, garantindo que é um “privilégio” dar a conhecer o trabalho da Jacira da Conceição, numa outra dimensão que é mais performativa.

“A Boca aposta muito nessa relação entre artes visuais e performance, sendo ela uma escultora e ceramista, estamos a espicaçar um bocadinho essa outra qualidade que já pertence ao seu próprio trabalho e ser uma hipervisibilidade, dando a conhecer essa obra que é uma forma de ela apelar a uma visibilidade maior do seu próprio corpo e da sua própria identidade enquanto mulher negra”, disse.

A performance-deriva “Insularidade”, com o mesmo itinerário, acontece outra vez no dia 08 de Outubro.

No dia 16 de Junho, a ceramista cabo-verdiana apresentou uma exposição e performance, também com o título “Insularidade”, no Festival Futurama, que aconteceu em Beja.

No dia 26 de Maio, a artista participou numa mostra internacional, no Museu da Água, em Lisboa, a convite da galeria luso-angolana ‘This is not a White Cube’, com quatro esculturas, no Museu da Água – Depósito da Patriarcal, no Príncipe Real, no âmbito da exposição internacional da feira Arco Lisboa no programa VIP.

A 18 de Maio, Jacira da Conceição também fez o encerramento da exposição “Tchom Bom”, que estava patente no Centro Cultural de Cabo Verde (CCCV), em Lisboa, no âmbito do projecto com a Fundação Calouste Gulbenkian, inaugurada no dia 29 de Abril.

Jacira da Conceição iniciou a sua actividade como escultora na relação que estabeleceu com a comunidade de oleiras da localidade de Trás-os-Montes, no Tarrafal, e agora a viver em Portugal com a família, em Montemor-o-Novo, tem o seu ateliê a partir do qual recebe vários convites para exposições.

Tem trabalhado e criado esculturas e outras peças para várias entidades cabo-verdianas, como a Embaixada de Cabo Verde em Portugal, o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, mas também o Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal, o Museu Nacional de Arte Contemporânea, entre outras.

DR/AA

Inforpress/Fim

 

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