Portugal: Investigador cabo-verdiano satisfeito com a dinâmica e luta para reerguer a cimboa 

Lisboa, 04 Set (Inforpress) – O investigador em cultura cabo-verdiana Gil Moreira mostrou-se hoje, em Lisboa, satisfeito com a dinâmica criada e a luta que está a ser ganha para reerguer a cimboa e torná-la um património sustentável de Cabo Verde.

Em declarações à Inforpress, à margem workshop sobre “Cimboa e gaita: a sua importância no funaná, finason e batuku e o contributo africano e europeu na formação da cultura cabo-verdiana”, no Centro Cultural de Cabo Verde (CCCV), o investigador, actor, encenador e contador de estórias considerou é preciso dar atenção à lírica tradicional musical que está a desaparecer.

“É uma luta e uma dinâmica que já estamos a ganhar, tanto no campo de investigação comigo, particulares, como confecionadores, o Pascoal de São Domingos e o próprio IPC [Instituto do Património Cultural], já estamos a ganhar terreno e dinâmica aos poucos”, frisou Gil Moreira, que veio de Cabo Verde para o workshop.

Segundo o promotor da cultura cabo-verdiana, com este projecto da cimboa muitos actores estão sendo “acordados”, como os nacionalistas, os investigadores, os usuários de instrumentos musicais cabo-verdianos, músicos e também artesões, porque que “é instrumento que tem a mesma identidade que a cultura cabo-verdiana e que ainda está adormecido”.

“É um objectivo grande do IPC, que tem um projecto que é levar a cimboa a ser um património sustentável em Cabo Verde, por isso, resolvemos procurar lugares onde temos cabo-verdianos, culturas emergentes, sobretudo na diáspora portuguesa, que já é antiga, para começarmos com esta dinâmica de evolução cultural”, explicou.

Para Gil Moreira, apesar de não estar fácil, deve haver uma “aposta forte” nos jovens, que são “a forma e a matriz”, por isso, a mensagem que deixa é no sentido da juventude cabo-verdiana, dentro e fora do País, entender que cada passo que é dado na cultura.

Segundo a mesma fonte, se hoje Cabo Verde tem a sua tradição num campo que deseja que fosse melhor é porque precisa “semear nos mais jovens, através do ensino, na escola, na partilha e no campo de investigação”, essa pertença.

O workshop, ministrado por Gil Moreira e Adriano Reis, acontece no âmbito do projecto “Bebi na fonte” (beber na fonte) concretizado pela dupla e que tem desencadeado muitas investigações na ilha de Santiago, entendendo que o evento é um “momento único” para essa divulgação”.

O encontro acontece também inserido no Aqu’Alva Stória’22 – V Encontro Internacional de Narração Oral da Lusofonia, promovido pela Associação de Dinamização Ambiental, Social e Cultural (RJ ANIMA), que decorre desde Abril e vai até Setembro, sendo que este domingo, 04, as actividades serão levadas ao Cacém, uma comunidade com muitos cabo-verdianos.

“A acção de amanhã vai ser junto das comunidades, num lugar onde congrega diversas nacionalidades e uma forte comunidade cabo-verdiana. Essa actividade é pública, na rua para que todos tenham acesso, porque nós queremos ir encontro da comunidade”, esclareceu, indicando que também haverá uma exposição antropológica etno-cultural no mesmo local.

Adriano Reis, que é técnico da juventude, actor, contador de ‘stória’, palhaço crioulo e animador sociocultural, contou que o Encontro Internacional de Narração Oral da Lusofonia tem como propósito “reforçar a tradição oral” através dos seus representantes.

Demonstrar os contributos africanos e europeus na formação da cultura cabo-verdiana, expor e destacar a cimboa, a sua origem e o seu percurso na cultura cabo-verdiana e relevar a importância do CCCV enquanto meio de divulgação e integração sociocultural dos cabo-verdianos residentes em Portugal, foram os objectivos do evento.

Gil Moreira, que já fez partilha das suas investigações em Cabo Verde, França, Macau e Portugal, pretende legar as mesmas a outros países onde há cabo-verdiano.

DR/AA

Inforpress/Fim

Facebook
Twitter
  • Galeria de Fotos