Portugal: Custo do alojamento aliado à inflação tem sido insustentável para os estudantes – presidente UECL (c/áudio)

Lisboa, 09 Nov (Inforpress) – O presidente da União de Estudantes Cabo-verdianos em Lisboa (UECL) admitiu que o maior problema enfrentado neste momento tem e está relacionado com o preço dos alojamentos, que aliado à inflação, tem sido “insustentável” para os académicos.

À Inforpress, em Lisboa, Edson da Veiga que foi eleito recentemente como líder estudantil dos estudantes na capital portuguesa e tomou posse no dia 01 de Novembro, sublinhou que é preciso estar ciente de que “boa parte” de estudantes cabo-verdianos que chega a Lisboa “não tem noção do custo de vida e normalmente passam por muitas dificuldades financeiras”.

“O maior problema dos estudantes neste momento tem que ver com a inflação e o alojamento, sobretudo neste período do ano lectivo, porque a renda tem estado a aumentar e aliado ao aumento dos preços, o custo de vida está cada vez mais insustentável”, disse, acrescentando que outra dificuldade é o facto dos estudantes chegarem atrasados, ou seja, meses depois do início das aulas.

Segundo ele, o processo de atribuição de vagas, de bolsas e vistos, demora “muito”, o que faz com que “não exista um estudante cabo-verdiano que chegue que não reclama da situação”, já que é preciso uma fase para adaptação, mas que aos que vêm de Cabo Verde foi-lhes “abdicado esse período de transição” e “se não tiverem auto-confiança, acabam por desistir”.

Para Edson da Veiga, que frequenta o terceiro ano de licenciatura em Engenharia e Telecomunicações e Informática, no Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, outro constrangimento tem que ver com os estudantes que chegam de Cabo Verde sem ter nenhum contacto e com o “choque, ficam totalmente perdidos”.

“Não há uma preparação em Cabo Verde, por isso, no próximo verão, queremos ver se conseguimos fazer parcerias com câmaras e a Direcção Geral do Ensino Superior, para ministrar alguns workshops de esclarecimentos sobre o que é que vão aqui encontrar”, indicou.

Por todos esses constrangimentos, o líder estudantil, natural de Santa Catarina, frisou que no seu mandato de um ano, para “minimizar o problema financeiro” quer ver se junto com a comunidade cabo-verdiana, será possível criar uma bolsa, inicialmente, sem “muita burocracia” que consistia em doar o que consegue, mesmo que sejam dez ou cinco euros, para “tentar ajudar os estudantes que têm passado por situações mais complicadas”.

Realização de tertúlia, mensalmente, para falar de temas sobre Cabo Verde, partilhando ideias e dar contributo para o País, mantendo o “laço com a terra”, porque “boa parte de estudantes não tem plano de regressar” para Cabo Verde quando terminarem os estudos, já que “perdem essa ligação com a terra”.

“Temos também alguns eventos para valorizar o mérito, mesmo que seja com um diploma, como forma de incentivar e motivar os outros a conseguirem destacar-se, através de parceiros que queremos procurar”, revelou.

Quanto ao trabalho da Embaixada de Cabo Verde em Portugal, considerou que tem feito um “bom trabalho”, mas que podia melhorar com um trabalho de proximidade e na prevenção.

“Este ano queremos fazer uma feira de saúde que vai focar na saúde física e mental dos estudantes, porque a pandemia colocou a nu a fragilidade que os estudantes têm a nível de saúde, sobretudo, mental”, focou, sustentado que mesmo da parte das universidades podiam dar “mais atenção” aos estudantes internacionais que chegam atrasados para um contexto e cultura diferente.

O novo presidente da direcção quer “trazer UECL de novo para os estudantes”, porque com a pandemia “quase que se afastou”, dinamizando actividades para “sentirem que realmente” estão ali para ajudá-los, mas também mostrando às entidades cabo-verdianas, e não só, que a organização estudantil que dirige está disposta a trabalhar em conjunto para resolver os problemas dos estudantes.

A União de Estudantes Cabo-verdianos em Lisboa foi criada a 22 de Outubro 1998 e Edson da Veiga substitui Ederlindo Fernandes como presidente da direcção da UECL.


DR/ZS

Inforpress/Fim

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