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Porto Novo: “sufocados” pela pior seca dos últimos anos, criadores começam a vender seus animais ao desbarato

 

*** Por Jaime Medina, da Agência Inforpress ***

Porto Novo, 04 Nov (Inforpress) – Os criadores já tinham avisado que, a qualquer momento, começavam a “desfazer” dos seus animais por dificuldades na aquisição de ração e muitos, sobretudo das zonas altas, começam, efectivamente, a vender, a um custo muito reduzido, os seus animais.

Trata-se de criadores que dizem, “cada vez mais, sufocados” pela seca, “pior dos últimos dez anos”,  que assola, de forma particular, o já árido município do Porto Novo.

A escassez de pasto, segundo os criadores se agrava dia pós dia, particularmente no Planalto Norte e zona Sul do concelho, enquanto esperam, “aflitos”, pela efectivação do plano de emergência para o salvamento do gado e mitigação da seca, anunciado pelo Governo.

Os criadores explicam que a situação nutricional do efectivo pecuário piora dia pós dia e, temendo a morte dos seus animais  por falta de pasto (já houve casos de amimais mortos no Planalto Norte), alguns criadores começam a vender os seus animais.

Os criadores estão já a ser obrigados a vender os seus animais a um preço muito reduzido, havendo casos em que cabras, que em situação normal custariam cerca de cinco mil escudos por cabeça, estão a ser vendidas por apenas mil escudos “ou menos do que isso”, segundo testemunho de alguns pastores.

Joaquim Silva, criador no Planalto Leste, disse que, prevendo dias complicados, teve que vender a sua vaca por apenas 30 mil escudos, “antes que se desvalorize ainda mais”, já que, a cada dia que passa, “a situação vai ficando cada vez mais difícil”, avançou.

“Numa situação normal, venderia essa vaca por 50 a 60 mil escudos”, lamentou este criador que dá conta de que há colegas que já venderam vacas por menos e que estão a vender ao desbarato as suas cabras.

Irineu da Luz, representante dos criadores no planalto Norte, admitiu à Inforpress que a situação é, de facto, “muito difícil” para a grande maioria dos criadores, que clamam pela implementação do plano de emergência para salvamento do gado, antes que desfaçam de todos os seus animais.

Para  Fidel Neves, no Planalto Norte, se está, de facto, perante a mais dura seca dos últimos anos no Porto Novo, uma realidade que exige, “há muito tempo”, uma intervenção das autoridades locais e centrais, por forma a socorrerem as populações.

Os técnicos do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA), que trabalhavam na assistência aos criadores confirmam, efectivamente, o “drama” dos criadores que já estão sendo obrigados a vender os seus animais a um preço bastante reduzido, devido às dificuldades em adquirir a ração.

Além da falta de pasto, os criadores de gado nas zonas altas do Porto Novo enfrentam uma outra dura realidade: a penúria de água.

O MAA, com o seu único auto-tanque, tem enfrentado enormes dificuldades para socorrer os criadores, o mesmo acontecendo com a câmara do Porto Novo, também, com um único autotanque, não tem conseguido atender à demanda, nesta altura.

“Precisamos de, pelo menos, mais um auto-tanque para atender às diversas comunidades nas zonas altas (planaltos Norte e Leste e ainda zona Sul)”, defendeu Jorge Pires, do Serviço Autónomo de Água, no Porto Novo.

Para a Associação dos Criadores de Gado do Porto Novo, a situação é de “muita angústia” no seio da classe neste município que, pelas suas especificidades (extenso e disperso) e pelo peso que a pecuária possui na vida das famílias, deveria ser “discriminado positivamente”, com a disponibilização, por parte do Governo, de, pelo menos, mais dois auto-tanques.

Essa posição havia sido, recentemente, defendida pelo delegado do MAA, Joel Barros, referindo-se às dificuldades que os serviços que dirige têm encontrado no fornecimento de água aos criadores.

Joel Barros, que admite que, de facto, a situação de “alguma aflição”, disse que a delegação do MAA está preparada para, assim que forem desbloqueadas as verbas no quadro do plano de imergência, para arrancar com as acções de salvamento do gado.

O edil porto-novense, Aníbal Fonseca, disse que, devido à “perda total da produção” a nível do sequeiro e à “difícil situação” em que se encontra o efectivo pecuário, há, nesta altura, “um desalento muito grande” no seio das populações, que aguardam, com expectativa, uma resposta do Governo.

A nível do concelho, o plano de emergência de salvamento do gado e mitigação da seca, que deve arrancar ainda este mês de Novembro, ultrapassa os 150 mil contos, e terá uma vigência de 14 meses.

Para o delegado do MAA neste concelho, o salvamento do gado, cujo efectivo estima-se em 14 mil cabeças, é “prioridades das prioridades”, explicando que o Governo, com este plano, além de disponibilizar água para o gado, vai ainda colocar à disposição dos criadores ração (sêmea, milho) “a um preço acessível”.

O plano visa ainda a mobilização de água para a agricultura, com a recuperação de nascentes e equipamentos de alguns furos, bem como criação de 500 empregos, através de projectos locais, para permitir às famílias em situação de vulnerabilidade terem rendimentos.

Os lideres comunitários defendem, similarmente, “urgência”, na realização desse programa, numa altura em que inúmeras famílias já estão a passar por “graves privações”.

“O Governo já devia ter aberto algumas frentes de trabalho para socorrer as famílias que perderam tudo este ano e que estão em grandes dificuldades, com os filhos na escola”, aviou Fidel Neves, porta-voz da população do Planalto Norte.

JM/CP

Inforpress/Fim

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