Porto Novo: Sociedade de Desenvolvimento Turístico e Urbano está à deriva com abandono do CA – clientes

 

Porto Novo, 13 Out (Inforpress) – Os clientes da Sociedade de Desenvolvimento Turístico e Urbano do Porto Novo (Sotur) consideram que esta empresa está “à deriva” depois de ter sido abandonada, nos últimos anos, pelo seu conselho de administração (CA).

A Sotur foi criada, em 2007, pela edilidade porto-novense para a execução do projecto de infra-estruturação da zona de Curraletes, na parte oriental da cidade do Porto Novo, para efeito de alienação.

Os clientes, muito dos quais emigrantes, que adquiriram lotes de terrenos a “preços avultados” (muitos ultrapassam mil contos), dizem preocupados com a situação da empresa e vêem, assim, cada vez mais remota a possibilidade de a mesma avançar com o projecto de infra-estruturação de Curraletes.

Eneida Pires é uma dessas clientes que se sente lesada por essa situação e promete levar Sotur às barras do tribunal, uma posição, também, já assumida por outros clientes que, nesses anos, viram-se impedidos de realizar os seus projectos imobiliários.

O edil do Porto Novo, Aníbal Fonseca, admitiu que, realmente, a situação da Sotur é “bastante complexa”, confirmando o facto de o conselho de administração ter abandonado a empresa, que está, neste momento, num “vazio” em termos de gestão.

“O CA abandonou a empresa e, neste momento, há uma espécie de vazio que estamos a tentar preencher”, avançou o autarca, que promete, porém, “fazer tudo para dignificar os compromissos assumidos” por essa empresa, perante os clientes e financiadores.

O autarca confirmou que o município do Porto Novo está em negociações com uma instituição financeira com vista a tentar “salvar o que resta” ainda da Sotur, que enfrenta “problemas a todos os níveis”, lamentou.

O que se pretende, segundo Aníbal Fonseca, é “montar uma engenharia financeira” para “salvar o que for possível” da Sotur, empresa participada, maioritariamente, pela autarquia porto-novense.

O projecto de infra-estruturação de Curraletes visava a construção de rede viária, na instalação de água canalizada, esgotos, energia, telefone, drenagem de águas pluviais e na criação de espaços verdes, zonas recreativas e de lazer e de equipamentos sociais, obras que nunca foram realizadas.

Aníbal Fonseca admitiu que, “nos últimos anos”, o projecto, que inicialmente era considerado “bom”, parou e, actualmente, Sotur tem problemas de vária ordem com os clientes e com os credores, que têm que ser resolvidos, apesar da “situação muito difícil” por que essa empresa.

“Vamos fazer o possível para salvar o que resta da Sotur. Temos os clientes que compraram os terrenos, temos a empresa que executou as obras, o financiador e a câmara do Porto Novo, que é um grande credor da Sotur”, informou o autarca que, além de “situações relacionadas com a gestão da própria empresa”, considera que o anterior Governo contribuiu, “de forma ostensiva”, para o estado actual da Sotur.

“O projecto teve problemas desde de nascença. O então Governo bloqueou o processo, alegando que os terrenos eram propriedades do Estado e os clientes começaram a duvidar do processo”, explicou o edil do Porto Novo.

Entre o município do Porto Novo e a Sotur foi assinado, em 2007, um protocolo para a infra-estruturação urbanística de 100 hectares de terrenos (equivalente a 100 campos de futebol) na zona de Curraletes, prevendo-se, numa primeira fase, a infra-estruturação de 20 por cento (%) dessa área.

Uma auditoria efectuada à Sotur pelo anterior executivo camarário confirmou a existência de “irregularidades graves” na gestão dessa empresa, que levaram ao seu “descalabro”.

De entre as irregularidades, a autoria apontou “um desvio” de 30 mil contos, que contribui para “afundar” a Sotur.

JM/CP

Inforpress/Fim

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