Porto Novo: Seca com influência na produção da aguardente  

Porto Novo, 05 Mai (Inforpress) – Produtores do grogue nos principais vales agrícolas no Porto Novo, em Santo Antão, admitiram hoje que a seca que atinge este município, condicionou, este ano, a safra de cana de açúcar e, consequentemente, a produção da aguardente.

Na Ribeira das Patas, o representante dos agricultores, Arlindo Delgado, confirmou à Inforpress que a seca, que se faz sentir, há quadro anos seguidos, no Porto Novo, obrigou os lavradores a reduzir o cultivo da cana sacarina, com “impacto negativo” na produção do grogue.

“A seca teve sim impacto negativo na cultura da cana sacarina. Muitos agricultores, como foi o meu caso, foram obrigados a reduzir a plantação por escassez de água, o que acabou por condicionar a produção do grogue”, explicou este produtor.

Também, em Alto Mora, o presidente da Associação dos Agricultores, Ederlino Fortes, informou que a safra de cana de açúcar esteve, este ano “muito aquém do esperado” por causa da escassez de água, que é uma consequência da seca, que está a afligir este vale.

Terrenos de regadio em Alto Mira, sobretudo, no segundo e terceiro povoados, correm o risco de se tornar terrenos de sequeiro, alertou este agricultor, informando que “os caudais das nascentes estão a diminuir drasticamente por causa da seca prolongada”.

Idêntica situação acontece na Ribeira da Cruz, onde a colheita da cana já terminou, conforme os produtores, que, em jeito de balanço, informaram que, devido à seca, a produção da cana sacarina e, logo, do grogue tem conhecido “uma redução nos últimos anos”.

Saliente-se que os agricultores em Santo Antão alertaram, em Abril, para “o fabrico desenfreado” da aguardente de açúcar na ilha, depois de uma melhoria registada em 2016, com a nova lei que regula a produção do grogue em Cabo Verde.

A preocupação foi manifestada ao Presidente da República por um grupo de agricultores desta ilha, que pediu a “magistratura de influência” do chefe de Estado no sentido de levar as autoridades competentes a combaterem a produção da aguardente de açúcar em Santo Antão.

O porta-voz dos agricultores, João Pinto, explicou que, em termos do cumprimento da lei sobre o grogue em Santo Antão, “tudo voltou à estaca zero”, depois de “alguma melhoria” registada em 2016.

JM/CP

Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos