Porto Novo/Ribeira das Patas: Dez anos depois agricultores ainda sonham com recuperação da Ribeira de Carpinteiro

Porto Novo, 20 Jul (Inforpress) – Os agricultores “ainda sonham” com a recuperação da zona agrícola da Ribeira de Carpinteiro, na Ribeira das Patas, Santo Antão, devastada em 2012 com a extracção de inertes utilizados nas obras do porto do Porto Novo, diz o porta-voz.

Em declarações à Inforpress o porta-voz dos agricultores, João Lima, lembrou ainda que essa zona ficou desprotegida depois de o consórcio, que se encarregou das obras da ampliação do cais do Porto Novo, ter extraído “grande quantidade de pedras” no local.

“Depois de todo esse tempo, ainda acreditamos na realização das obras de correcção torrencial, na recuperação das nascentes e das parcelas”, notou este lavrador, alertando que esta ribeira, onde se praticava, até 2012, “muita agricultura” está “cada vez mais devastada”.

Os agricultores, ao longo desses anos, têm vindo a alertar para a situação da Ribeira de Carpinteiro, que, a seu ver, ficou “devastada” em 2012 pela “extracção desenfreada de inertes”, tornando-se “num caso muito sério” do ponto de vista ambiental.

A própria Associação para o Desenvolvimento Integrado da Ribeira das Patas (ADIRP), na pessoa do seu presidente, Arlindo Delgado, tem vindo a chamar a atenção do Governo para a necessidade de se avançar com as prometidas obras nessa ribeira, onde cerca de uma dezena de famílias praticava agricultura.

Esta associação defende a recuperação dos terrenos agrícolas destruídos, a recuperação das três nascentes afectadas e ainda das obras de correcção torrencial.

O Ministério da Agricultura e Ambiente já prometeu intervir nessa ribeira no quadro do reordenamento da bacia da Ribeira das Patas, que arranca em Julho de 2023.

A edilidade porto-novense, realça-se, chegou a intentar uma acção judicial contra o consórcio luso-cabo-verdiano que executou as obras no porto do Porto Novo, reclamando uma indemnização de 60 mil contos pelos danos ambientais causados a essa zona e ao município, mas acabou por perder o caso junto dos tribunais.

JM/ZS

Inforpress/Fim

Facebook
Twitter
  • Galeria de Fotos