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Porto Novo: Relatório sobre Sotur entregue aos tribunais ainda em Junho, segundo bancada do PAICV

Porto Novo, 16 Jun (Inforpress) – O relatório sobre a gestão da Sociedade de Desenvolvimento Turístico e Urbano do Porto Novo (Sotur), em situação de falência, vai ser entregue, ainda em Junho, aos tribunais, pelo Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição).

O líder da bancada do PAICV na Assembleia Municipal do Porto Novo, João Fonseca, informou que o relatório, que já foi discutido pelos eleitos municipais, vai ser entregue, até final deste mês, à Procuradoria-geral da República e ao Tribunal de Contas por “comprovar a existência de indícios claros de corrupção” à volta da gestão da Sotur.

A Sotur, criada em 2007, por iniciativa da edilidade porto-novense, contraiu junto à banca um crédito de 100 mil contos para a infra-estruturação de 100 hectares de terrenos na zona se Curraletes, na parte oriental da cidade do Porto Novo, projecto que acabou por fracassar, devido a “várias irregularidades”, refere o relatório.

O documento, a que a Inforpress teve acesso, explica que os clientes compraram terrenos na zona de Curraletes “a um preço muitíssimo superior ao normal”, porque “supostamente” seriam infraestruturados com acessibilidades, redes de água, de esgotos, electricidade e de telecomunicações, obras que nunca foram realizadas.

Segundo João Fernandes, o relatório produzido por uma comissão de trabalho, integrada por eleitos municipais, acabou por mostrar que o “principal prejudicado” em todo esse processo foi o município do Porto Novo, que foi lesado em “milhares de contos”.

Para este responsável, o documento mostra ainda que os clientes da Sotur foram, também, “enganados” pelas sucessivas administrações da empresa, tendo desencadeado junto dos tribunais processos litigioso contra a empresa.

O relatório concluiu que o falhanço do projecto de infraestruturação da zona de Curraletes afectou o município e causou o “descrédito e a degradação” da sua imagem junto seus clientes e dos investidores.

Adianta que a situação real da Sotur, cujo accionista maioritário é a Câmara Municipal do Porto Novo, com 94,3% das acções, é de “clara falência técnica”, encontrando-se, actualmente, sem sede social própria e sem órgãos sociais.

O presidente da câmara do Porto Novo, Anibal Fonseca, reconheceu, recentemente, que se está perante “uma situação dolorosa”, especialmente, com os clientes.

JM/ZS

Inforpress/Fim

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