Porto Novo/Pesca: Operadores acham que Governo ainda não apresentou “ideia estruturante” do sector

Porto Novo, 22 Abr (Inforpress) – Os operadores de pesca no Porto Novo (Santo Antão) consideram que o Governo “até agora” não apresentou, nesses três anos de mandato, “uma ideia estruturante a curto e médio prazo” para o sector pesqueiro em Cabo Verde.

O presidente da Associação dos Pescadores do Novo, Atlermiro Correia, explicou à Inforpress que os operadores de pesca neste concelho ainda estão à espera que o Executivo, no que diz respeito às infra-estruturas de pesca e à renovação da frota e que apresente a sua estratégia de curto e médio prazo.

“O Governo, até então, não apresentou uma ideia estruturante do sector pesqueiro nacional a curto e médio prazo quanto às infra-estruturas de pesca, renovação e fortalecimento da frota, mas também em relação ao aumento da captura e transformação”, sublinhou este responsável, partilhando a ideia de que a pesca em Santo Antão “caiu no esquecimento”.

Em relação ao município do Porto Novo, onde existem três grandes comunidades piscatórias (cidade, Monte Trigo e Tarrafal), com mais de 600 operadores, “continua-se à espera das infra-estruturas básicas: um cais de pesca e um mercado de peixe”, avançou o representante dos pescadores.

Segundo ainda Atlermiro Correia, a legislação laboral na área das pescas “continua em lume brando, os problemas de insegurança mantêm-se e nunca se iniciou a inscrição dos pescadores no sistema de previdência social”, salientando a ideia de que não há ainda “medidas de fundo” para o sector.

As associações dos pescadores em Santo Antão queixam-se da falta de infra-estruturas de apoio à actividade pesqueira em todas as comunidades, com destaque para arrastadores de botes e equipamentos de frio, uma preocupação partilhada pelos próprios autarcas, que consideram, igualmente, que as pescas nesta ilha tem estado no esquecimento, aos longos dos anos.

Santo Antão, pelo seu potencial a nível das pescas, é uma das lhas abrangidas por um estudo que está a ser realizado no âmbito da elaboração do plano estratégico sobre os investimentos na economia azul em Cabo Verde.

O estudo, que fica pronto agora em Abril, está a ser realizado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), com o financiamento do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).

Na sua recente visita a Porto Novo, em Fevereiro, o ministro da Economia Marítima, José Gonçalves, havia explicado que esse estudo vai permitir identificar que “tipo de investimentos, em que áreas e em que dimensões”, deverão ser feitos na economia azul, no arquipélago.

A curto prazo, ou seja, ainda este ano, Santo Antão deverá ser contemplado com a construção de um arrastadouro, a localizar-se no Paul, segundo o Governo.

JM/AA

Inforpress/Fim

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