Porto Novo/Martiene: Materiais utilizados nas obras da estrada estão a ser extraídos localmente para evitar entrada de mil pés

Porto Novo, 09 Ago (Inforpress) – O Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) tem garantias do empreiteiro que está a executar a estrada de acesso à Martiene, no Porto Novo, Santo Antão, de que os materiais utilizados nas obras estão a ser extraídos localmente.

Isso, para evitar a entrada da praga dos mil pés (illacme plenipes) nesse importante vale agrícola, disse à Inforpress o delegado do MAA no Porto Novo, Joel Barros, a propósito da denúncia feita, semana passada, pelos agricultores de que esta praga terá sido levada para Martiene, através de materiais de construção utilizados nas obras de requalificação da estrada.

Segundo este responsável, o empreiteiro encarregado da obra terá admitido que houve “um descuido” do condutor que transportou os materiais a partir da zona vizinha da Ribeira da Cruz, mas há garantias de que a areia e outros materiais que estão a ser utilizados nas obras estão a ser explorados localmente.

O propósito é evitar que os mil pés cheguem à Martiene, um dos maiores produtores de batata comum em Cabo Verde, com uma produção à volta de um milhar de toneladas por ano.

Os agricultores detectaram a praga em areia transportada a partir da Ribeira da Cruz, zona infestada por essa praga daninha.

O Governo, através do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA), já admitiu a possibilidade de, no quadro da cooperação com a China, poder retomar as investigações, com vista a encontrar forma de combater essa praga, que aflige a ilha de Santo Antão há mais de 40 anos.

Igualmente, a empresa Aquasun Energia e Água disse pretender apostar nas investigações sobre os mil pés, com a instalação de um laboratório no Porto Novo, no quadro do projecto agro-industrial em Santo Antão, que pretende, a partir deste ano, implementar nesta ilha.

Esta empresa, que anunciou investimentos à volta de 2,4 milhões de contos em Santo Antão, diz contar com a parceria de algumas universidades nacionais na realização das investigações.

Devido à praga dos mil pés, que terá sido trazida da Europa para Santo Antão nos princípios dos anos 70, esta ilha tem estado sujeita, desde 1984, a um embargo que impede o escoamento dos produtos agrícolas santantonenses para as outras regiões agrícolas do País.

Os produtores agrícolas e os autarcas da ilha têm feito “forte pressão” ao Governo para o levantamento do embargo, mas, para já, segundo o ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, “não está nos planos do Governo o levantamento” dessa medida de quarentena.

JM/DR
Inforpress/Fim

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