Porto Novo/Grogue: Fiscalização, certificação e formação entre preocupações dos produtores a um mês do arranque da safra 2020

Porto Novo, 27 Nov (Inforpress) – O reforço da fiscalização, restrições na importação do açúcar, certificação e formação são algumas das preocupações dos produtores do grogue no concelho do Porto Novo, Santo Antão, a pouco mais de um mês do início da safra 2020.

A nível de fiscalização, os produtores voltam a exigir a criação da delegação da Inspecção-geral da Actividade Económica (IGAE) neste município, aguardada há cerca de dois anos, uma estrutura que, a seu ver, permitirá “uma presença mais efectiva” da IGAE, neste concelho, actualmente, com 30 alambiques.

Além da fiscalização, há ainda a necessidade de se equipar melhor o laboratório no centro agro-alimentar de Afonso Martinho, em Ribeira Grande, para evitar que se continue a cometer “irregularidades” na produção do grogue não só no Porto Novo, como em toda a ilha de Santo Antão, avisa o produtor Emídio Alves.

“Não temos ainda um laboratório completo e, por causa disso, vai haver sempre irregularidades. Há que criar as bases para que Santo Antão possa produzir um grogue de qualidade”, avançou este produtor, que defende ainda “formação prática” para os produtores.

Os produtores de grogue no Porto Novo defendem, igualmente, a necessidade de o Governo tomar medidas que restringem a importação do açúcar durante o ciclo de produção, que começa a partir de Janeiro e prolonga-se até Junho.

Os produtores, que já manifestaram essa preocupação à Entidade Reguladora Independente da Saúde (ERIS), pedem ao Governo que tome medidas restritivas com relação à importação do açúcar, durante, “pelo menos”, o período de industrialização.

Trata-se de um período em que, segundo os produtores, chega a Santo Antão “quantidades enormes” de açúcar, produto que, acreditam, continua ainda a ser matéria-prima na produção da aguardente, apesar das acções de fiscalização.

Santo Antão, com 173 alambiques, situadas, maioritariamente, em Ribeira Grande (99), detém 80 por cento (%) do potencial de cana sacarina em Cabo Verde, mas, mesmo assim, o açúcar é “ainda muito utilizado” no fabrico da aguardente, admitem alguns produtores, que colocam ênfase no reforço da fiscalização.

O Governo, conforme garantiu já o ministro da Industria, Comércio e Energia, Alexandre Monteiro, prevê para 2020 o reforço das actividades de fiscalização e “o aumento do nível das exigências” aos produtores em relação à melhoria das condições de produção.

A safra de 2019 em Santo Antão, segundo o governante, foi marcada por uma intensificação das inspecções, por parte das entidades competentes, período em que as acções de fiscalização em toda a ilha foram “dez vezes superiores” ao ano anterior (2018).

O Governo, no quadro de um plano de valorização da aguardente em Santo Antão, já mostrou, também, a disponibilidade “para trabalhar com os produtores na organização e empresarialização” desta indústria nesta ilha, que já exporta o produto para a Europa e os Estados Unidos da América (EUA).

O grogue produzido em Santo Antão, estimado em dois milhões de litros anuais em média, está, desde 2018, a ser exportado para a Europa, a partir do mercado francês, por parte de uma empresa portonovense, que, entre 2018 e 2019, já exportou quase 18 mil litros da aguardente.

A certificação do grogue que se produz em Santo Antão constitui “um desafio” para os produtores e municípios desta ilha, que pretendem dotar a ilha de um cromatógrafo, já financiado pelo Governo, em seis mil contos.

Existem em Cabo Verde, 389 unidades de produção da aguardente, 173 das quais situadas em Santo Antão, ilha com uma área de 1.034 hectares coberta por cana de açúcar.

Ribeira Grande de Santo Antão é o concelho com maior número de alambiques em todo o território nacional (99), seguido por Paul, Ribeira Grande de Santiago e Santa Cruz, com 44, 40 e 37 unidades, respectivamente.

JM/ZS

Inforpress/Fim

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