Porto Novo: Deslocalização do centro de expurgo para o porto é uma decisão assumida pelo MAA – delegado

Porto Novo, 15 Jun (Inforpress) – A deslocalização do centro de expurgo de Santo Antão para o porto do Porto Novo é “uma decisão assumida” pelo Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) que se prepara para concretizar esta medida ainda este ano.

Quem o diz é o delegado do MAA no Porto Novo, Joel Barros, que avançou à Inforpress que este ministério está a ultimar as negociações com a Empresa Nacional da Administração dos Portos (Enapor) com vista à instalação e exploração deste centro pós-colheita na zona portuária.

Conforme Joel Barros, falta somente “conciliar alguns pontos” com a Enapor para a assinatura do protocolo no âmbito do qual se vai concretizar o compromisso assumido com os produtores agrícolas de Santo Antão de deslocalizar o centro de expurgo, construído em 2010, para o cais do Porto Novo.

Os produtores agrícolas em Santo Antão têm estado a insistir na deslocalização para as instalações portuárias deste centro que se situa nos arredores da cidade do Porto Novo, a quase três quilómetros do porto, medida que está em vias de se efectivar.

Estes produtores consideram que esta infra-estrutura, construída há 12 anos para contornar a praga dos mil pés que infesta a ilha de Santo Antão, não tem estado a servir os agricultores, devido, sobretudo, à sua localização, encontrando-se, nesta altura, em situação de subaproveitamento.

Os elevados custos de funcionamento têm sido outro factor apontado pelo MAA para justificar o subaproveitamento deste espaço, que somente nos primeiros dois anos de funcionamento gastou quase 11 mil contos em energia eléctrica.

O delegado do MAA confirmou este facto que obrigou o Governo a adquirir um gerador para assegurar o funcionamento deste centro, sobretudo, na pesagem dos produtos.

O centro pós-colheita, operacionalizado em 2013, conseguiu tratar nestes nove anos de funcionamento 681 toneladas de produtos agrícolas colocados nos mercados turísticos do Sal e da Boa Vista, tendo atingido o pico de tratamento nos dois primeiros anos.

Isso, segundo este responsável, se deve ao facto de, nos dois primeiros anos, os produtores terem beneficiado gratuitamente de cartões (embalagem), graças a um stock disponibilizado pelo financiador do projecto, implementado no âmbito do programa Millennium Challange Account (MCA).

A partir de 2016, a procura dos agricultores ao centro para tratamento dos produtos começou a baixar porque tiveram que arcar com os custos das embalagens (250 escudos/cartão), além de outros encargos (transporte e taxas portuárias) que acabaram por onerar o serviço.

O centro de expurgo representou um investimento de 120 mil contos, financiados através do programa MCA, no quadro de uma estratégia do então governo de contornar o embargo imposto, desde 1984, aos produtos agrícolas de Santo Antão devido à praga dos mil-pés.

JM/JMV
Inforpress/Fim

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