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Porto Novo: Agricultores detectam mil pés em Martiene transportados através de materiais de construção

Porto Novo, 01 Ago (Inforpress) – A praga dos mil pés (illacme plenipes) poderá ter já chegado a Martiene, no Porto Novo, levado através dos materiais de construção que estão a ser utilizados nas obras de requalificação da estrada de acesso a esse vale.

Os agricultores em Martiene, um dos maiores produtores de batata comum em Cabo Verde, com uma produção à volta de um milhar de toneladas por ano, detectaram já esta praga em areia transportada a partir da zona vizinha da Ribeira da Cruz.

Januário Cruz, representante dos agricultores, confirmou à Inforpress que, de facto, foram já detectados mil pés em Martiene, levados em materiais de construção utilizados nas obras da estrada de acesso à localidade.

Januário Cruz informou que os agricultores reconhecem a importância da estrada para esse vale, mas estão “preocupados” com a hipótese de esta praga atingir essa importante zona agrícola da ilha de Santo Antão, pondo em risco a cultura de batata comum, o principal produto cultivado localmente.

Os mil pés já chegaram também à Chã de Branquinho, que, conjuntamente com Martiene, fazia parte das poucas zonas agrícolas no Porto Novo livre desta praga, que aflige a agricultura nesta ilha há mais de 40 anos.

O Governo, através do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA), já admitiu a possibilidade de, no quadro da cooperação com a China, poder retomar as investigações, com vista a encontrar uma forma de combater essa praga.

Igualmente, a empresa Aquasun Energia e Água disse pretender apostar nas investigações sobre os mil pés, com a instalação de um laboratório no Porto Novo, no quadro do projecto agro-industrial em Santo Antão, que pretende, a partir deste ano, implementar nesta ilha.

Esta empresa, que anunciou investimentos à volta de 2,4 milhões de contos em Santo Antão, diz contar com a parceria com algumas universidades nacionais na realização das investigações.

Devido à praga dos mil pés, que terá sido trazida da Europa, Santo Antão tem estado sujeito, desde 1984, a um embargo que impede o escoamento dos produtos agrícolas santantonenses para as outras ilhas agrícolas do País.

Os produtores agrícolas e os autarcas da ilha têm feito “forte pressão” ao Governo para o levantamento do embargo, mas, para já, segundo o ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, “não está nos planos do Governo o levantamento” dessa medida de quarentena.

Os agricultores em Santo Antão dizem-se “castigados” com essa medida, que levou ao “declínio” a agricultura nesta ilha.

JM/ZS

Inforpress/Fim

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