Ponto focal diz que Cabo Verde precisa melhorar em matéria de gestão de resíduos hospitalares

Cidade da Praia, 19 Set (Inforpress) – Cabo Verde produz cerca de 300 toneladas de resíduos hospitalares por ano e não sabe, apesar de alguns avanços, como gerir a matéria produzida pelos serviços de saúde, que constitui “risco para o ambiente e para a população”.

A informação é do ponto focal em gestão dos resíduos hospitalares e administrador executivo do Instituo Nacional de Saúde Pública (INSP), Júlio Rodrigues, em declarações à imprensa sobre a formação em gestão dos resíduos hospitalares, destinada a pontos focais das diferentes estruturas de saúde do País, a decorrer na Cidade da Praia, de hoje a quarta-feira, 21.

Conforme Júlio Rodrigues, para um “avanço e gestão adequados” é preciso saber-se o lugar que os resíduos hospitalares ocupam no sistema, existência de materiais necessários para a incineração e transporte seguro para transmover o resíduo.

“Cabo Verde, desde 2004, tem vindo a tentar instalar um plano de gestão dos resíduos hospitalares, mas o primeiro projecto do plano nunca chegou a ser aprovado. O primeiro plano aprovado cobre o período 2012/2016 e de lá para cá muitos esforços têm vindo a ser feitos, sendo umas estruturas com mais e outras com menos dinâmica”, disse, sublinhando que os resíduos hospitalares estão “no topo” das necessidades da saúde pública.

Neste âmbito, questionou o facto de uma estrutura de saúde fazer a contagem de quantos médicos, enfermeiros e medicamentos precisa por ano, e não contabiliza os baldes e sacos de recolhas e nem os mecanismos de organização sanitária de que necessita.

“Não é por acaso que ainda estamos a fazer esforços para melhorar a segurança sanitária, mas ainda continuamos a encontrar resíduos perigosos em qualquer lugar. Não como antes, pois melhorou substancialmente, mas ainda precisamos melhorar”, acrescentou, sublinhando que a ação de formação é uma forma de garantir segurança sanitária.

Segundo aquele ponto focal, o objectivo é também “incutir na cabeça dos responsáveis” como uma “boa gestão” dos resíduos hospitalares pode contribuir para diminuir riscos dentro das instalações que prestam cuidados de saúde, garantir “maior segurança” aos profissionais, utentes, população e ambiente.

Aquele responsável que afirmou que o projecto responde às recomendações no âmbito da covid-19 e da COP26, e realçou ainda que se baseia num instrumento de trabalho que deve orientar e mostrar o caminho que se quer nesta matéria.

A formação, referiu, vai contribuir para o reforço da segurança sanitária, já que os resíduos hospitalares, segundo afirmou, constituem “um sério problema de saúde pública” em Cabo Verde, sobretudo nos sistemas de saúde frágil onde o planeamento, o destino que se dá aos resíduos e a questão do risco para saúde pública é débil.

Ainda segundo Júlio Rodrigues, vai-se organizar duas formações, sendo uma este mês e outra no mês de outubro, nas ilhas de São Vicente e Sal, e alargar a participação a outros sectores, que não seja hospitalar, uma vez que a intenção não é apenas formar, mas começar a pôr em prática a questão dos resíduos hospitalares.

Avançou ainda a existência de vários projectos e com financiamento, sendo um deles do escritório Conjunto da Organização das Nações Unidas, através da Unicef, no montante de 400 mil dólares.

Neste momento, segundo o ponto focal, existem incineradoras na Cidade da Praia, Santa Catarina, Sal, São Vicente e Região Fogo/Brava.

A ação de formação resulta do projecto de Reforço da Gestão dos Resíduos Hospitalares, no quadro da resposta à covid-19, e conta com o apoio financeiro do Banco Mundial através da Unidade de Gestão de Projecto Especiais do Ministério das Finanças.

Dados indicam que o sector da saúde é responsável pela emissão de 4,6 por cento (%) dos gases com efeito de estufa, daí a importância de este adequar as medidas e políticas públicas estratégicas activas e direccionadas, cada vez mais, como amigas do ambiente e da saúde.

PC/AA

Inforpress/Fim

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